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O melhor “atelier emergente de arquitectura” do mundo pode ser português

Luís Ferreira Alves
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Luís Ferreira Alves

A boa nova chegou ao atelier do Porto por correio. Susana Rosmaninho e Pedro Azevedo eram notícia na edição de Novembro de uma das mais relevantes revistas de arquitectura. Apressaram-se a folheá-la e lá estava: o estúdio dos dois arquitectos portugueses entrou na lista dos 14 finalistas do prémio Architectural Review Emerging Architecture (AREA), a distinção da Architecural Review para estúdios e arquitectos emergentes, até aos 45 anos.

A publicação internacional, sediada em Londres, destacava o Centro Interpretativo do Vale do Tua, a primeira obra construída do atelier Rosmaninho+Azevedo, depois de vários anos a colaborarem com outros escritórios.

Para defenderem a nomeação do prémio “de arquitectura emergente mais antigo” do mundo, os dois arquitectos portugueses fazem as malas e rumam a Amesterdão, de 28 a 30 de Novembro. No Festival de Arquitectura Mundial vão apresentar o projecto ao júri que inclui a arquitecta espanhola Ángela García de Paredes, o indiano Gurjit Singh Matharoo e o holandês Ronald Rietveld, todos antigos vencedores do prémio AREA.

No ano em que celebra duas décadas, o galardão vai distinguir, pela primeira vez, um corpo de trabalho ao invés de só um edifício. Por isso, aquando das candidaturas, foi pedido aos arquitectos que enviassem um projecto já construído (depois de 2013), um trabalho ainda em progresso e uma ideia. Além do Centro Interpretativo — que começou a ser construído em 2016, depois de um concurso público em 2015, fruto das medidas de compensação da EDP para o território decorrentes da construção de barragem de Foz Tua —, Rosmaninho e Azevedo propuseram a recuperação da Casa de Aristides de Sousa Mendes e, como ideia, um pavilhão camuflado pelo jardim da Casa das Artes do Porto.  

Para Susana Rosmaninho, “só a nomeação já trouxe uma grande projecção” para a startup incubada no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC). Este é, aliás, um dos objectivos do prémio que apoia “arquitectos num momento-chave da sua carreira, colocando-os num palco global e promovendo o seu trabalho no mundo”. O valor monetário do galardão é de cerca de 9000 euros e os portugueses concorrem contra estúdios do Nepal, Uganda, Chile, China, México, Japão, Itália, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América ou Reino Unido.

O centro na Estação Ferroviária de Foz Tua inaugurou-se em Fevereiro último e ocupa “dois antigos armazéns ferroviários”, separados pela linha de comboio do Douro. Um deles, já centenário e construído em madeira, foi recuperado “tábua a tábua” para ali funcionar um espaço de acolhimento e promoção turística. Já o museu, revestido a zinco canelado, valeu-lhes em Junho o prémio especial do júri na 8.ª edição do VMZINC Archizinc Trophy, distinção bianual reservada a projectos onde o zinco seja protagonista.

Segundo o júri — presidido por Paul Finch, editor e director da Architectural Review —, o uso do metal para “reinterpretar os hangares de madeira” prova “que é possível mudar completamente um edifício sem o destruir”, bem como “alterar o seu uso sem trair a identidade de um lugar”. Esta segunda-feira, 5 de Novembro, os dois arquitectos descobriram que também estão nomeados para o Mies van der Rohe Award, o “prémio de arquitectura contemporânea mais importante a nível europeu” — e por culpa do mesmo projecto, aqui representado nas imagens de Luís Ferreira Alves.

Exposição sobre o Vale do Tua, no Centro Interpretativo sobre a região
Exposição sobre o Vale do Tua, no Centro Interpretativo sobre a região Luís Ferreira Alves
O centro quer mostrar a "ligação entre o território, que envolve todo o vale e foz do Tua, com as suas gentes (incluindo a fauna e flora), o caminho-de-ferro e a barragem".
O centro quer mostrar a "ligação entre o território, que envolve todo o vale e foz do Tua, com as suas gentes (incluindo a fauna e flora), o caminho-de-ferro e a barragem". Luís Ferreira Alves
O Centro Interpretativo é constituído por dois cais cobertos desactivados, separados pela linha do Douro
O Centro Interpretativo é constituído por dois cais cobertos desactivados, separados pela linha do Douro Luís Ferreira Alves
O edifício de madeira foi reabilitado "tábua a tábua"
O edifício de madeira foi reabilitado "tábua a tábua" Luís Ferreira Alves
O projecto  resulta das medidas de compensação da EDP para o território, decorrentes da construção de barragem de Foz Tua
O projecto resulta das medidas de compensação da EDP para o território, decorrentes da construção de barragem de Foz Tua Luís Ferreira Alves
Tem uma área total de 809 metros quadrados e localiza-se na Estação do Tua
Tem uma área total de 809 metros quadrados e localiza-se na Estação do Tua Luís Ferreira Alves
O centro representa um investimento de cerca de dois milhões de euros
O centro representa um investimento de cerca de dois milhões de euros Luís Ferreira Alves
O projecto do atelier Rosmaninho+Azevedo é um dos 14 finalistas do prémio <i>Architectural Review Emerging Architecture</i>(AREA)
O projecto do atelier Rosmaninho+Azevedo é um dos 14 finalistas do prémio Architectural Review Emerging Architecture(AREA) Luís Ferreira Alves
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