Hostmaker tem nos proprietários lisboetas um exemplo para o mundo

Empresa faz a gestão das casas arrendadas a curto, médio e longo prazo. Para já são 200, a ambição é chegar rapidamente às 800.

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Se há proprietários que fizeram do alojamento local uma forma de vida, é o seu trabalho a tempo inteiro ou parcial, outros há que olham para o arrendamento de curta duração como um negócio e deixam nas mãos de uma empresa a recepção ou a limpeza da sua casa. Foi para esse tipo de proprietários que surgiu, há quatro anos, no Reino Unido, a startup Hostmaker. Hoje está espalhada por algumas capitais europeias (mas não só) e tem em Lisboa um exemplo a seguir.

Embora a empresa tenha chegado a Lisboa há apenas dez meses, faz já a gestão de 200 casas (não só da cidade, mas da zona metropolitana – da Costa da Caparica a Sintra, passando pelo Estoril e Cascais) e emprega 50 pessoas. Estas são responsáveis pela decoração, manutenção, limpeza e check-in dos hóspedes. “Não fazemos apenas a limpeza, mas preocupamo-nos com o design e com toda a experiência dos hóspedes”, explica James Lemon, director de operações, à Fugas. “Atendemos o telefone a toda a hora”, sublinha.

A empresa começou há quatro anos em Londres, com uma casa – James Lemon esteve em Lisboa para falar durante a Web Summit – e agora tem duas mil espalhadas pelo mundo. “As pessoas que tinham casas em Paris deram-os as de Cannes para gerir”, diz, explicando assim que se construiu uma relação de confiança com os proprietários. 

O objectivo é continuar a crescer, o alojamento local é mais interessante para famílias e grupos de amigos do que a estadia num hotel, considera. Num futuro muito próximo haverá dez milhões de casas, no mundo, disponíveis para este efeito, prevê. Por isso, a hotelaria também está atenta à mudança do mercado e a Hostmaker tem uma parceria com o Marriott, através do qual é possível arrendar casas que são geridas pela startup.

O crescimento da marca passa por se estender a nível global. Depois da Europa – por cá, a intenção é chegar ao Porto no próximo ano –, a Hostmaker já chegou a Banguecoque. Para o ano, Dubai e Cidade do Cabo estão no mapa, sem falar de outras cidades europeias. Quanto a Lisboa, a ambição é chegar às 250 casas até ao final do ano e às 800 em 2019, avança Inês Nobre. “Crescemos 360% em seis meses”, orgulha-se Inês, responsável pela marca em Portugal. “Agora poderíamos ter 400 [casas], mas queremos que os hóspedes tenham uma experiência premium”, justifica.

Se há clientes que têm duas casas, a empresa quer chegar aos investidores ou empresas de imobiliário. “Queremos ter empresas a trabalhar connosco, em parceria”, refere James Lemon, assinalando a colaboração com o banco francês BNP Paribas, na área do investimento imobiliário.

Serviço personalizado

“Esta é uma empresa de hospitalidade e de tecnologia”, acrescenta Inês Nobre. É que a startup tem um algoritmo que permite adequar os preços diariamente ao mercado, assim como o proprietário sabe quando a casa está arrendada e quanto está a ganhar. Porque já tem uma ”boa dimensão” – segundo um comunicado enviado à imprensa, a Hostmaker “já gerou mais de 50 milhões de euros para proprietários em todo o mundo” –, a sua percentagem é de 20% mais IVA.

O objectivo é que os hóspedes sintam que têm um serviço personalizado de alguém que faz tudo para que se sintam em casa, reforça Lemon. A hospitalidade é o ponto de ordem. Por exemplo, se houver algum problema, os hóspedes poderão mesmo mudar de casa.

O responsável lembra que as experiências de quem opta por arrendar uma casa, em vez de ir para um hotel, são muito díspares. Tanto se pode ter sorte como azar - e a intenção é que numa casa gerida pela Hostmaker a experiência seja sempre “premium”, continua. “Vai ser sempre consistente. Há sempre uma pessoa que espera pelos hóspedes até estes chegarem, mesmo que o voo se atrase; há sempre alguém que atende o telefone; as amenities são as mesmas, assim como o design”, enumera.

A preocupação com o design faz com que, nos primeiros contactos com os proprietários interessados, se faça uma sugestão de como deverá a casa ser decorada. “Somos muito selectivos, explicamos-lhes o nosso conceito e recomendamos que façam um upgrade à casa”, diz. 

De seguida, a casa é posta nas plataformas a que as pessoas estão habituadas a ir procurar este tipo de alojamento – Airbnb, Booking, HomeAway, TripAdvisor, etc., mas também na da própria empresa, a Stayy. Depois, a casa pode ser arrendada a curto, médio ou longo prazo, porque há estudantes, investigadores ou outros profissionais que procuram um espaço para ficar por três ou seis meses e esta pode ser uma opção. 

Quanto aos hóspedes, uma vez que chegam pelas plataformas que promovem o alojamento local, nem sempre sabem que as casas são geridas pela Hostmaker, mas quando sabem querem voltar a ficar num desses alojamentos, conclui Inês Nobre.