Opinião

Celebremos a Semana Europeia da Formação Profissional

Apelo a Portugal a que se junte a nós para mostrar que o ensino e a formação profissionais representam o que se faz de melhor na área da educação.

Quando, há quatro anos, iniciei o meu mandato como comissária europeia, a minha missão era clara: dar a mais pessoas, jovens ou menos jovens, um lugar no mercado de trabalho. Desde então, foram criados quase 12 milhões de empregos. O número de pessoas que trabalham na União Europeia (UE) é agora de 239 milhões, o que representa um pico sem precedentes. Embora se situe ainda num nível demasiado elevado, o desemprego dos jovens atingiu a sua taxa mais baixa de sempre. São muitos os motivos de orgulho, mas muito trabalho há ainda a fazer.

A digitalização e a automatização, bem como a passagem para uma economia hipocarbónica, estão a mudar a forma como vivemos e trabalhamos. Com estes novos desenvolvimentos surgem novas oportunidades, mas os desafios são igualmente importantes. O Pilar Europeu dos Direitos Sociais norteia a nossa acção para responder a estes desafios e salvaguardar as nossas conquistas sociais num mundo em rápida mutação. Não é por acaso que o primeiro princípio do pilar é a educação, a formação e a aprendizagem ao longo da vida: neste novo mercado de trabalho, serão necessárias novas competências e novas profissões. 

Estou convicta de que o ensino e a formação profissionais podem contribuir para garantir, na Europa, as competências que vão ao encontro das necessidades do mundo em constante mudança. Muitas vezes, porém, o ensino e a formação profissionais tendem a ser encarados, pelos jovens e pelos seus pais, como uma segunda escolha, como uma alternativa menor relativamente a outros percursos educativos. Ao mesmo tempo, para as pessoas que já trabalham ou estão à procura de emprego, o ensino e a formação profissionais não são a opção mais óbvia para melhorar as competências e as perspectivas de emprego.

Quero convencer os estudantes, os pais, os candidatos a emprego e os trabalhadores de que o ensino e a formação profissionais são o melhor trampolim para o emprego. Setenta e cinco por cento dos estudantes que recentemente enveredaram pela via do ensino e da formação profissionais encontraram emprego pouco tempo depois de terem obtido um diploma. Este êxito mostra que as competências ensinadas são as que efectivamente correspondem às necessidades actuais das empresas.

É por esta razão que a Comissão Europeia celebra esta semana, pelo terceiro ano consecutivo, a Semana Europeia da Formação Profissional. Com centenas de iniciativas e actividades em toda a Europa, este evento anual põe em destaque o ensino e a formação profissionais. Em Portugal, a percentagem de graduados do ensino vocacional e profissional a entrar no mercado de trabalho subiu de 61,3% em 2014 para 75,8% em 2017. Sinto--me inspirada pela decisão de Portugal de realizar iniciativas importantes para tornar os programas de ensino e formação profissional mais atractivos e, assim, mais participados. Estas iniciativas incluem não só programas vocacionais de ensino secundário, mas também acções de educação para adultos. O novo Instrumento de Execução de Reformas da UE vai complementar as actuais iniciativas portuguesas ao atacar o défice de competências, que é um dos maiores problemas estruturais do país.

Por conseguinte, apelo a Portugal a que se junte a nós para mostrar que o ensino e a formação profissionais representam o que se faz de melhor na área da educação e para tornar a Semana Europeia da Formação Profissional um sucesso ainda maior do que nos anos precedentes. Temos de demonstrar que o ensino e a formação profissionais transformam positivamente as vidas e os percursos profissionais das pessoas.