Costa está "obviamente disponível" para responder a comissão de inquérito sobre Tancos

A garantia do primeiro-ministro segue a declaração do Presidente da República, que afasta qualquer conhecimento do alegado encobrimento da recuperação do material de Tancos.

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LUSA/JOSE SENA GOULAO

O primeiro-ministro, António Costa, garante que está “obviamente disponível” para responder à comissão de inquérito parlamentar que foi aprovada na Assembleia da República sobre  sobre o roubo de armas na base militar de Tancos. Na edição do Expresso desta semana, um membro do gabinete do primeiro-ministro afirma que este responderá às perguntas que lhe sejam dirigidas pelos deputados.

A comissão parlamentar de inquérito foi aprovada na semana passada e vai ser discutida na conferência de líderes na próxima semana, podendo iniciar os seus trabalhar ainda este mês. A conclusão de um inquérito parlamentar deve ser feita no prazo de 180 dias, podendo, porém, ser decidido o prolongamento do mandato por mais 90 dias. Esta comissão teve o voto favorável de todos os partidos, à excepção do PCP e PEV que se abstiveram, e será presidida pelo deputado socialista Filipe Neto Brandão.

A declaração do primeiro-ministro surge depois de o CDS e os partidos à esquerda do PS terem admitido convocar António Costa. Mais recentemente, também o PSD considerou necessário procurar esclarecimentos junto do primeiro-ministro sobre o desaparecimento e recuperação do material furtado em Tancos.

“Fazer perguntas por escrito ao primeiro-ministro é uma hipótese que não pomos de parte, tal como já aconteceu no passado”, afirmou Fernando Negrão, líder parlamentar dos sociais-democratas, citado pelo jornal Expresso.

Marcelo nega que Presidência tinha conhecimento

A garantia primeiro-ministro segue as declarações do Presidente da República, que nega que a Presidência da República tenha conhecimento do alegado encobrimento associado à recuperação do material roubado em Tancos.

A reportagem do programa Sexta às Nove, da RTP, afirma que o antigo director da Polícia Judiciária Militar "fez vários contactos com o ex-chefe da Casa Militar da Presidência antes e depois da recuperação das armas" e cita o próprio general João Cordeiro, que terá confirmado os contactos, negando "ter percebido qualquer encobrimento".

Marcelo Rebelo de Sousa reagiu assim à informação avançada pelo canal estatal. “Se eu soubesse o que se tinha passado, não passava a vida a exigir o esclarecimento. Era muito simples. Se eu tivesse sabido desde o dia 2 de Julho e depois ao longo do processo que se tinha passado, para quê estar a insistir num esclarecimento, como insisto hoje?”, questionou.

 Em declarações ao PÚBLICO, o Presidente português vincou: “Se pensam que me calam, não me calam”.