Opinião

A arrogante incompetência do PS

Ficámos a saber que o tema da habitação não é uma prioridade nem uma preocupação do governo, não fazendo parte do próximo OE para 2019.

A deputada Helena Roseta foi indigitada pelo Partido Socialista como coordenadora da comissão de trabalho da Assembleia da República sobre habitação. De facto a arquitecta Helena Roseta é a deputada que mais sabe sobre habitação, tal como foi reconhecido pelo próprio primeiro-ministro.

Na sequência do terceiro pedido de aditamento da votação do pacote legislativo de uma lei de bases da habitação, solicitado pelo grupo parlamentar do PS, a arquitecta Helena Roseta decidiu renunciar ao lugar de coordenadora da comissão de trabalho.

A reacção da direcção do grupo parlamentar do PS foi então a de a excluir liminarmente dos trabalhos da referida comissão da habitação!

Visto ser a pessoa mais capaz de identificar problemas e criar soluções, a atitude da direcção do grupo parlamentar do PS revela uma arrogante incompetência política. Ficámos a saber que o PS não pretende discutir ideias mas sim lugares.

Os deputados do PS, na sua maioria, estão no hemiciclo colados aos seus assentos, entrando mudos e saindo calados, sem fazerem ondas que possam colocar em causa o salário do seu emprego partidário, presente e futuro.

Numa época em que todos nós corremos o risco de perder jornais e jornalistas e ficarmos sem a informação factual, fora dos “achismos” das redes, seria importante que os cidadãos não ficassem indiferentes a estas prepotências de um poder partidário, politicamente legitimado por cada vez menos votos dos eleitores.

Neste caso ficámos a saber que o tema da habitação não é uma prioridade nem uma preocupação do governo, não fazendo parte do próximo OE para 2019.

Mas é uma enorme preocupação para a população, sobretudo para os residentes nas grandes cidades como Lisboa, onde os fundos imobiliários compram quarteirões inteiros e expulsam os alfacinhas.

O Estado retira-se do seu papel regulador do mercado de habitação e o PS pede aditamentos sucessivos para a aprovação de uma lei de bases da habitação. E porquê? Porque tal pacote seria chumbado?

Esta noção de democracia ficou patente em 2004 quando Almeida Santos questionado sobre a razão do PS recusar um referendo sobre uma futura Constituição para a Europa, respondeu que seria arriscado porque o resultado poderia ser negativo.

Hoje qual é a situação?

Primeiro foi o desastre de Tancos ainda por explicar, depois foi a intempestiva substituição da PGR Joana Marques Vidal sem conhecimento da própria, num processo muito opaco. A seguir será a aprovação de um criativo OE, com grande financiamento aos bancos “bem” geridos.

Finalmente temos agora a surpresa da exclusão da comissão de habitação, de uma deputada com pergaminhos na AR (desde a Assembleia Constituinte), sendo a única politicamente capaz de criar uma solução consensual no hemiciclo. E esta é uma realidade bem discernível para qualquer um de nós.

Com tantos tiros no pé, o PS e António Costa andam a semear o quê?

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