Os Dias do Desassossego voltam a Pessoa e Saramago em Novembro

A quarta edição da festa organizada pela Casa Fernando Pessoa e pela Fundação José Saramago conta com nomes como Norberto Lobo, Crista Alfaiate e Cristina Branco.

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Cristina Branco actua no Teatro São Luiz a 27 de Novembro, com temas escritos de propósito para a ocasião Joana Linda

Desde 2015 que a Casa Fernando Pessoa e a Fundação José Saramago unem esforços para assinalar duas datas importantes relativas aos ícones da literatura portuguesa que representam: o nascimento de José Saramago, a 16 de Novembro de 1922, e a morte de Fernando Pessoa, a 30 de Novembro de 1935. A festa chama-se Dias do Desassossego, e volta este ano para a sua quarta edição, de 16 a 30 de Novembro, com concertos, leituras, debates, mesas-redondas, passeios, teatro, oficinas e aulas. Quatro destes eventos (uma visita à fundação e outra à casa, bem como duas mesas-redondas) terão interpretação em língua gestual portuguesa.

A programação foi apresentada esta segunda-feira em Lisboa, na Casa Fernando Pessoa, um dos dois espaços centrais da festa, sendo o outro a sede da Fundação José Saramago, na Casa dos Bicos. Os Dias do Desassossego passam também pela Igreja de Santa Isabel, pelos teatros São Luiz e São Carlos e, pela primeira vez, saem de Lisboa para rumarem ao Porto, a 21 de Novembro, com direito a uma sessão especial das Quintas de Leitura do Teatro Campo Alegre.

A sessão de abertura, na Casa dos Bicos, faz-se com um concerto de El Sur, a banda lisboeta que se dedica a explorar a tradição das lutas dos povos sul-americanos e a poesia de nomes como Violeta Parra ou Victor Jara: para a ocasião, estreará um novo membro e novo reportório, com temas originais construídos a partir de textos de Saramago. No dia seguinte, depois de uma oficina sobre biodiversidade para crianças, uma sessão unirá a guitarra de Norberto Lobo às leituras que a actriz Crista Alfaiate fará de poemas místicos da época medieval até aos dias de hoje, seleccionados João Barrento – será na Igreja de Santa Isabel, debaixo do céu pintado por Michael Biberstein, com quem o músico conviveu.

No dia 20, na Casa Fernando Pessoa, Ana Bacalhau e Samuel Úria falarão sobre os livros que têm em casa e a forma como as palavras se encaixam na música, numa conversa moderada por Gonçalo Frota, colaborador do PÚBLICO. Segue-se, um dia depois, um ciclo de leitura à volta de livros que foram proibidos e censurados na Europa.

No dia 24, a prosa de Fernando Pessoa, vinda do próprio Livro do Desassossego e não só, é o foco de uma sessão de leitura que assinala os 130 anos do nascimento do poeta, organizada pelo pessoano brasileiro Carlos Pittela-Leite, com música original do seu compatriota Vinícius de Castro e as vozes de Nina Vigon Manso, José Barreto e Filipa de Freitas. A 25, no foyer do Teatro São Carlos, as actrizes Ana Brandão, Carla Bolito e Sara de Castro juntam-se ao contrabaixo de Carlos Bica para uma leitura encenada.

Dois dias depois, e sucedendo a Mário Laginha, André Fernandes, Filipe Melo e Filipe Raposo noutros anos, Cristina Branco sobe ao palco do São Luiz para cantar alguns temas escritos de propósito para a ocasião, incluindo um poema de Saramago para Pilar del Río musicado por Bernardo Moreira, contrabaixista da sua banda, e palavras de Fernando Pessoa musicadas pelo seu pianista, Luís Figueiredo. A 28, uma sessão sobre promoção de leitura assinala, na Fundação José Saramago, os 20 anos do Prémio Nobel atribuído ao escritor.

Por fim, no dia 30, com repetição na tarde seguinte, há uma leitura encenada por Miguel Loureiro, com música de Maria do Mar, para assinalar os 25 anos da Casa Fernando Pessoa, que abriu as portas em 1993, com poemas de Pessoa, Caeiro, Reis e Campos.

Há também um programa paralelo, com a arte urbana de Opiemme a ser desenvolvida a partir de 17 de Novembro na Rua do Patrocínio, em Campo de Ourique, e, a partir de 19 de Novembro, uma oficina para trazer a leitura a mulheres e jovens da Casa de Abrigo de Lisboa, um espaço da APAV.