Procuradora-geral destaca importância de rigor e serenidade na investigação do caso de Tancos

Lucília Gago entende que o que importa "é que sejam averiguados os factos e que seja proferida decisão em conformidade com o que foi apurado".

Lucília Gago
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Lucília Gago LUSA/MIGUEL A. LOPES

A procuradora-geral da República disse nesta sexta-feira que o importante no caso das armas em Tancos é que o Ministério Público prossiga o seu trabalho e que as investigações sejam levadas a cabo com rigor, determinação e serenidade.

“O que importa é que o Ministério Público prossiga o seu trabalho, que as investigações sejam levadas a cabo com rigor, determinação e serenidade, e é isso que com certeza vai acontecer, nesta investigação ou noutra”, disse Lucília Gago em declarações aos jornalistas à margem das cerimónias do 73.º aniversário da Polícia Judiciária, que decorreram esta sexta-feira em Lisboa. O que importa, na sua opinião, “é que sejam averiguados os factos e que seja proferida decisão em conformidade com o que foi apurado”.

O furto de material militar dos paióis de Tancos foi revelado a 29 de Junho de 2017 e a recuperação da maior parte do material foi divulgada pela Polícia Judiciária Militar, em comunicado, no dia 18 de Outubro de 2017, na Chamusca, a cerca de 20 quilómetros de Tancos.

A investigação do Ministério Público sobre o aparecimento do material furtado, designada Operação Húbris, levou à detenção para interrogatório de militares da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR. Em 25 de Setembro, a Polícia Judiciária deteve o director e outros três responsáveis da PJM, um civil, e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

Segundo o Ministério Público, em causa estão “factos susceptíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, receptação, detenção de arma proibida e tráfico de armas”. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

O caso levou já à demissão do então ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, em 12 de Outubro, invocando a necessidade de evitar que as Forças Armadas fossem prejudicadas pelo “ataque político” e as acusações de que afirmou estar a ser alvo.

O chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, pediu também a resignação, apenas dois dias depois da tomada de posse do novo ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho.