Nova liderança do PSD-Açores eleva a fasquia

Alexandre Gaudêncio quer devolver a mística das vitórias que fogem desde 1996. Venceu as directas no partido, conquistando 61% dos militantes, e é empossado no congresso que começa nesta sexta-feira.

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Alexandre Gaudêncio no anúncio da candidatura à liderança do PSD-Açores DR

Ganhar todas as eleições, especialmente as regionais de 2020. A fasquia que o novo líder do PSD-Açores estabelece é ambiciosa para quem está arredado do poder desde 1996, mas, garante ao PÚBLICO, vai ao encontro da vontade da maioria dos açorianos.

“Nem é apenas o PSD a pensar que o PS já governa os Açores há muito tempo. São os próprios açorianos que nos dizem isso”, diz Alexandre Gaudêncio que no final de Setembro recolheu 61% dos votos contra 39% de Pedro Nascimento Cabral, nas eleições directas do partido.

Gaudêncio, que lidera desde 2013, sempre com maioria absoluta, a autarquia da Ribeira Grande, a segunda cidade da ilha São Miguel, é visto como um homem do aparelho. Aos 35 anos já foi secretário-geral do partido (em 2012) e foi um dos vice-presidentes de Duarte Freitas, o antigo líder do PSD/Açores que convocou em Agosto eleições antecipadas, para passar o testemunho.

Esta proximidade entre Gaudêncio e Freitas foi explorada, sem sucesso, por Nascimento Cabral durante a campanha interna, descrevendo o projecto do autarca da Ribeira Grande como uma continuidade da liderança de Duarte Freitas.

Gaudêncio desvaloriza. Representa, garante, uma nova geração de políticas e de políticos e não se embaraça com os cargos que ocupou dentro do partido. “Conheço o PSD-Açores por dentro e sei quais são os pontos fortes e os pontos fracos”, disse na altura, comprometendo-se a iniciar um processo de desburocratização do partido, para atrair mais quadros Mas, primeiro, argumenta o presidente dos social-democratas açorianos, é tempo de unir o partido em torno de um projecto simultaneamente “credível e alternativo”, que devolva ao PSD-Açores a “mística” das vitórias.

O congresso, que arranca esta sexta-feira em Vila Franca do Campo (São Miguel), será, refere Alexandre Gaudêncio, o local privilegiado para ouvir os militantes e as ideias que trazem para o futuro. A reunião magna do PSD açoriano reúne 215 congressistas no Pavilhão Açor Arena. A única a moção global de estratégia é a Rumo à Vitória que Gaudêncio leva ao 23.º Congresso, que encerra domingo com a presença do líder nacional do partido, Rui Rio.

O autarca, para já, não pretende suspender o mandato na Ribeira Grande. “Os lugares não são incompatíveis e existem muitos exemplos”, argumenta, desvalorizando o facto de não estar no parlamento açoriano. “Vai dar outra abrangência ao líder do partido, libertando mesmo espaço para a acção política no terreno.”

Duarte Freitas, que acumulava a presidência do partido com a liderança da bancada na assembleia regional açoriana, vai deixar de chefiar o grupo parlamentar logo após o congresso. “O novo líder merecerá a minha confiança, como merecem todos os deputados eleitos”, sublinha Gaudêncio, insistindo na necessidade de aproximar o partido das pessoas. O primeiro passo, disse durante a campanha e repetiu depois da vitória, é reorganizar o PSD-açores, aproximando-o das estruturas locais. Nisso, os deputados e o gabinete de apoio ao militante, que vai criar, serão, no entendimento da nova liderança, fundamentais para que o partido possa contrariar a hegemonia socialista no arquipélago.  

Nas últimas regionais, ganhas pelo PS com 46% dos votos, o PSD elegeu 19 deputados contra 30 dos socialistas. Nas autárquicas do ano passado, os social-democratas venceram em apenas cinco dos 19 municípios açorianos.