Director da PJ nega "picardia" com Judiciária Militar

Luís Neves diz que "não é um único facto que pode beliscar as relações institucionais e leais".

Luís Neves
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Luís Neves André Kosters

O director nacional da Polícia Judiciária negou nesta sexta-feira qualquer "picardia" entre a instituição que dirige e a Polícia Judiciária Militar (PJM), reportando-se à investigação relacionada com o roubo de armas militares em Tancos.

"Não é um único facto que pode beliscar as relações institucionais e leais", disse Luís Neves em declarações aos jornalistas à margem das cerimónias do 73.º aniversário da Polícia Judiciária.
Luís Neves garantiu que não existe "qualquer picardia entre PJ e PJM", lembrando a presença do novo director da PJM no aniversário da judiciária.

Em causa está a investigação em torno da recuperação, em Outubro de 2017, do armamento desaparecido dos paióis de Tancos meses antes e que culminou com a detenção pela PJ, em Setembro deste ano, de cinco elementos da PJ Militar (PJM), entre os quais o, à data, seu director.

Também o director-geral da Polícia Judiciária Militar negou qualquer desentendimento entre as duas estruturas e disse que o trabalho que a PJM tem vindo a fazer "vai provar a sua linha de profissionalismo e mostrar o seu valor".

"Aquilo que senti quando cheguei, e nos contactos com a PJ é que não existe um sentimento de guerra. O que se passou não sei, mas serão situações com certeza conjunturais que nada tem a ver com o bom relacionamento que as duas instituições têm tido e irão manter durante os próximos tempos", frisou Paulo Isabel em declarações aos jornalistas à margem das celebrações do 73.º aniversário da PJ.

Paulo Isabel acrescentou que "tudo fará para que os relacionamentos institucionais com todos os órgãos de polícia criminal se mantenham e melhorem onde tiverem que melhorar".

Em Setembro, a investigação do Ministério Público à recuperação do material furtado, designada Operação Húbris, levou à detenção para interrogatório de militares da PJM e da GNR.

Na mesma altura, foi noticiada uma operação de encenação e encobrimento na operação, alegadamente organizada por elementos da PJM, que dela terão dado conhecimento ao chefe de gabinete do ministro da Defesa.

Em 12 de Outubro, Azeredo Lopes demitiu-se e foi substituído por João Gomes Cravinho.

Na semana passada, o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, também se demitiu e o seu lugar foi ocupado pelo general José Nunes da Fonseca.

O inquérito tem nove arguidos constituídos e está em segredo de justiça.

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