S&P mantém rating de Itália mas baixa perspectiva

Agência Standard & Poor's passa perspectiva de “estável” para “negativa”. Rating foi mantido no grau BBB

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Proposta orçamental para 2019, apresentada por Conte, já foi rejeitada por Bruxelas LUSA/FILIPPO ATTILI /CHIGI PALACE PRESS OFFICE HANDOUT

A agência de notação Standard & Poor's manteve esta sexta-feira, 26 de Outubro, o rating de BBB à dívida pública italiana. Decidiu contudo rever em baixa a perspectiva de “estável” para “negativa”, mudança que justifica pelas decisões assumidas na proposta de orçamento apresentada por Roma.

“Do nosso ponto de vista, as escolhas da política económica e orçamental do governo italiano pesam sobre as perspectivas de crescimento económico do país, um elemento-chave da evolução do rácio dívida/PIB do país”, explica a S&P, no comunicado citado pela Reuters.

Para a agência de notação, as escolhas do governo liderado por Giuseppe Conte “erodiram a confiança dos investidores, o que se reflecte nos juros da dívida pública”

A S&P não acompanha assim a decisão da Moody’s, tomada na passada semana, de baixar o rating atribuído à dívida pública italiana para Baa3, um patamar apenas acima do grau de investimento especulativo (“lixo”).

A Comissão Europeia anunciou esta semana a rejeição do Orçamento do Estado de Itália para 2019, numa decisão “inédita” mas “não surpreendente” de Bruxelas. O chumbo foi anunciado oficialmente pelo vice-presidente europeu Valdis Dombrovskis esta terça-feira. Bruxelas deu então a Roma um prazo de três semanas para a apresentação um plano revisto para o próximo ano de 2019. “O Governo tem três semanas para submeter um projecto revisto de orçamento. Quando ele chegar, nós faremos a nossa análise e prepararemos uma nova opinião”, disse Pierre Moscovici

Na conferência de imprensa de terça-feira, comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiroscriticou o “desvio claro e intencional dos compromissos assumidos pelo Governo italiano”, referindo-se tanto ao respeito pelas recomendações orçamentais adoptadas no Conselho de 13 de Julho, como ao cumprimento das regras previstas pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento a que estão sujeitos todos os países da zona euro.

Na mesma conferência de imprensa, Valdis Dombrovskis lembrou que a Itália tem a segunda dívida pública mais alta da zona euro, de 131% do PIB ou 37 mil euros por habitante (valores de 2017), e que o serviço da dívida come uma parcela de 65,5 mil milhões de euros, ou 3,8% do PIB, que é idêntica no orçamento ao sistema de educação.

Em Roma, a reacção foi rápida: o  vice-primeiro ministro de Itália Matteo Salvini assegurou quarta-feira que a proposta de orçamento que o país enviou à Comissão Europeia é para manter, por mais que Bruxelas ameace com sanções.

"Bruxelas pode mandar 12 cartinhas, daqui até ao Natal”, mas o orçamento “não muda", afirmou o vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, em entrevista à rádio RtL citada pelo jornal La Repubblica.