Crítica

Velhas glórias e diamantes

O mais interessante é o facto de o filme perceber que o tema não é a história, não é o ambiente, não são as personagens — são os actores, a agremiação de velhas glórias do cinema britânico.

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<i>O Rei dos Ladrões</i>: bastante <i>britishs</i>
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O Rei dos Ladrões: bastante britishs
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Por alguma razão soa bastante british o episódio verídico na base de O Rei dos Ladrões, um roubo perpetrado em Londres, a um grande depósito de jóias, por um grupo de sexagenários e septuagenários. A James Marsh e aos produtores do filme também deve ter soado, porque o filme explora sobretudo isso, um tom muito britânico, entre um realismo fleumático e um humor muito tongue in cheek. Marsh tem tido jackpots (O Homem no Arame, A Teoria de Tudo) mas como realizador é pouco mais do que um ilustrador competente.

O mais interessante é o facto de perceber que o tema não é a história, não é o ambiente, não são as personagens — são os actores, a agremiação de velhas glórias do cinema britânico (Michael Caine, Tom Courtenay, Michael Gambon, Ray Winstone, etc) que exala carisma pelo simples facto de estar em frente a uma câmara. O que Marsh faz melhor é filmar isso, o carisma e a “aura” dos actores — e até vai buscar o que não filmou, os excertos de filmes antigos (como o Billy Liar que Courtenay protagonizou há quase 60 anos) que funcionam como flash-backs evocativos da juventude das personagens.

Claro que depois também exagera no sublinhar da “velhice”, nas rezinguices e nas manias, no “realismo” das personagens, duma forma caricatural puxar pelo “histrionismo” que há dentro de cada actor (sobretudo Caine, mais cockney do que nunca, que está aqui um bocado como mestre de cerimónias). Mas também é por o filme ter um horizonte tão curto que são os actores a salvá-lo.