Opinião

O Brasil está doente! E qual é o remédio?

Todo ódio e rancor social que estava difuso entre as diversas camadas sociais diante dos desmandos políticos, da violência urbana mortal e da corrupção em níveis absurdos, finalmente encontrou um catalisador apto a produzir o que existe de mais bárbaro e atroz.

A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a fala do coronel da reserva do Exército brasileiro Carlos Alves, que chamou a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, de “salafrária”, “corrupta” e “incompetente”.  No vídeo publicado em redes sociais o coronel aposentado diz:

“Olha aqui, Rosa Weber, não te atreve a ousar aceitar essa afronta contra o povo brasileiro, essa prova indecente do PT de querer tirar Bolsonaro do pleito eleitoral, acusando-o de desonestidade, de ser cúmplice numa campanha criminosa fraudulenta com o WhatsApp para promover notícias falsas.” (Sic)

Um contrato de aproximadamente três milhões de euros está sob investigação a fim de esclarecer se houve favorecimento por parte de empresários que financiaram a contratação de milhões de mensagens falsas que beneficiaram Jair Bolsonaro e foram disparadas por WhatsApp.

Segundo notícia do jornal brasileiro O Estado de São Paulo, o autor do vídeo ainda chamou o Supremo Tribunal Federal de tribunal de “canalhas” e “vagabundos”. Mesmos xingamentos utilizados pelo candidato à presidência da República Jair Bolsonaro no último domingo em videoconferência transmitida para uma multidão na Avenida Paulista, ao se referir aos apoiadores do partido de seu adversário.

Uma grande parte do Brasil está doente ao vibrar quando um candidato à presidência, ao se referir ao ex-Presidente Lula, que cumpre pena em regime fechado por crimes envolvendo corrupção e branqueamento de capitais, diz com a boca cheia e de viva voz que “irá apodrecer na cadeia”. Independente do crime, num Estado Democrático, seja quem for o detento e qual for o crime, o direito criminal tem a função constitucional de atribuir penas, nunca vinganças em masmorras. A fala do candidato representa clara afronta à normalidade constitucional e aos princípios humanitários básicos, além de ser irresponsável e beirar a tirania.

Todo ódio e rancor social que estava difuso entre as diversas camadas sociais diante dos desmandos políticos, da violência urbana mortal e da corrupção em níveis absurdos, finalmente encontrou um catalisador apto a produzir o que existe de mais bárbaro e atroz.

Pessoas vibrando em favor de um discurso virulento e aterrorizante que evoca o ódio, dissemina rancor e ameaça fisicamente adversários políticos, jamais deveria ser admitido em uma sociedade minimamente saudável. A sociedade brasileira está gravemente doente! Mas qual seria o remédio? Toda negligência com o sofrido povo brasileiro, os escândalos de corrupção e a violência diária, nos trouxe esta doença.

O que me resta é voltar às lições do Tratado sobre a Tolerância de Voitaire que recomenda “submeter essa doença do espírito ao regime da razão, que esclarece lenta, mas infalivelmente os homens. Essa razão é suave, humana, inspira a indulgência, abafa a discórdia, fortalece a virtude, torna agradável a obediência às leis, mais ainda do que a força é capaz”.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Sugerir correcção