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Banca vê com "grande tranquilidade" evolução do sector imobiliário

Faria de Oliveira diz que “na concessão de crédito à habitação, os bancos cumprem com rigor” em Portugal. Já o CEO do BCP, Miguel Maya, está convicto: "Não acredito que o imobiliário em Portugal venha a ser motivo da próxima crise".

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Probabilidade de haver um risco sério em Portugal "é mínima", acredita Faria de Oliveira Ricardo Lopes

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) e antigo líder da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira, afirmou hoje que "há uma grande tranquilidade" relativamente à evolução do sector imobiliário e que a probabilidade de haver um risco sério em Portugal "é mínima".

Faria de Oliveira falava aos jornalistas à margem da conferência "O Futuro do Dinheiro", organizada pelo Dinheiro Vivo, TSF e EY, sobre a eventualidade de uma bolha imobiliária em Portugal.

"Nós temos reflectido bastante sobre este assunto em termos conjunto do sistema bancário e consideramos que, neste momento, na concessão de crédito à habitação, os bancos cumprem com rigor [..], há uma grande tranquilidade", afirmou o presidente da APB.

"Em relação à evolução do sector imobiliário em Portugal consideramos que haveria necessidade de algum reajustamento da oferta imobiliária, há a questão dos preços que deve ser acompanhada", acrescentou Faria de Oliveira.

No entanto, "a probabilidade de isso constituir um risco sério é mínima", afirmou.

"Se compararmos a situação [actual] com aquela que havia antes do início da crise, estamos a uma distância significativa dos volumes na concessão de crédito. Podem crer que o sistema bancário está a actuar com toda a prudência", garantiu o presidente da associação do sector.

Anteriormente, o presidente executivo do Millennium BCP, Miguel Maya, tinha afirmado, durante a conferência: "Não acredito que o imobiliário em Portugal venha a ser motivo da próxima crise".

Miguel Maya apontou que "toda a gente se queixa que há falta de habitação", mas é preciso não esquecer que "essa falta resultou de os projetos estarem parados sete ou oito anos". "Tenho as maiores dúvidas que isso aconteça", acrescentou.

"Relativamente ao que está a acontecer no preço, estamos a praticar preços que em algumas situações não está ajustado ao risco", mas é "evidente que quando há falta de oferta os preços sobem", concluiu.

Por sua vez, o presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, apontou que "o mercado imobiliário tem mais procura que oferta" e apontou que se fala "em bolha imobiliária quando não há oferta suficiente".

Sobre o fundo de resolução, que o BCP considerou ser um "fardo" que tem de ser resolvido, o presidente da APB afirmou que a forma como foi criado (de ser financiado pelos bancos portugueses) "fez parte, na realidade, daquilo que a legislação previu", mas "os volumes atingidos eram inimagináveis".

"Na realidade, constituem um fardo pesado para o sistema bancário e, como aqui foi dito [aludindo ao BCP], só numa das instituições são 40 milhões de euros por ano" o contributo para o fundo de resolução, acrescentou.

"Acho que neste momento temos de andar para a frente, temos que trabalhar no sentido de procurar que, através da evolução do Novo Banco, este peso seja um pouco aliviado, é preciso que o Novo Banco se valorize, não deixa de ser penalizante em termos de concorrência para os outros bancos", considerou.

Sobre o sistema bancário português, no geral, o presidente da APB considerou estar "estabilizado", apontando que, em termos de capitalização, os bancos "estão francamente bem", a rentabilidade está a melhorar, "houve uma significativa diminuição" do crédito malparado e o sector está a trabalhar "em relação ao futuro".

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