Engenhos explosivos enviados para Hillary Clinton, Barack Obama e CNN

Agência Reuters desmente que tenham sido enviados pacotes suspeitos para a Casa Branca. Na segunda-feira foi encontrado outro explosivo em casa do multimilionário George Soros.

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Os serviços secretos dos EUA anunciaram esta quarta-feira que foram encontrados "pacotes suspeitos" entre o correio do ex-Presidente Barack Obama e da antiga secretária de Estado e candidata à presidência, Hillary Clinton. Os jornais norte-americanos avançam que os pacotes suspeitos continham engenhos explosivos semelhantes ao que foi encontrado entre o correio do multimilionário George Soros, na segunda-feira à noite.

Ao início da tarde foi também noticiado que houve um alerta de bomba no edifício da Time Warner, em Nova Iorque, onde funcionam três estúdios da CNN. O canal norte-americano avançou que a sua redacção foi evacuada por precaução.

Horas depois, o governador do estado de Nova Iorque, Andrew Cuomo, indicou que o seu gabinete em Manhattan também teria recebido uma encomenda armadilhada, mas a informação acabaria por ser desmentida.

Cuomo e Bill de Blasio, mayor da cidade de Nova Iorque, qualificaram as acções desta quarta-feira como uma tentativa de acto terrorista.

Entretanto, no estado da Florida, a polícia estadual investigava uma encomenda recebida no gabinete local da congressista democrata Debbie Wasserman, antiga presidente do Comité Nacional Democrata. 

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De Soros à CNN

Os engenhos suspeitos começaram a ser recebidos na segunda-feira, quando um pacote endereçado à casa de George Soros em Bedford, no estado de Nova Iorque, foi detectado por um funcionário e mais tarde detonado pela polícia, que confirmou tratar-se de uma bomba de fabrico artesenal.

Esta quarta-feira foi noticiado que dois engenhos semelhantes, também de fabrico artesanal, foram enviados a Clinton e Obama – o primeiro foi descoberto na terça-feira à noite e o segundo na manhã desta quarta-feira.

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Mais tarde, a CNN avançou que foram interceptados outros engenhos semelhantes endereçados à Casa Branca, mas a agência Reuters desmentiu essa informação, citando uma pessoa envolvida nas investigações.

"No dia 23 de Outubro de 2018, à noite, os Serviços Secretos recuperaram um pacote endereçado à antiga primeira dama Hillary Clinton em Westchester County, Nova Iorque. Esta manhã, dia 24 de Outubro de 2018, os Serviços Secretos interceptaram um segundo pacote endereçado ao antigo Presidente Barack Obama, em Washington D.C.", lê-se num comunicado dos serviços secretos norte-americanos.

No comunicado, lê-se que os funcionários que fazem a triagem do correio identificaram os dois pacotes suspeitos como sendo possíveis engenhos explosivos.

Membros da polícia norte-americana no exterior do edifício da Time Warner em Manhattan onde houve um alerta de bomba Reuters/KEVIN COOMBS
A polícia foi chamada depois de ter sido encontrado um "pacote suspeito" LUSA/JUSTIN LANE
A ameaça ao edifício onde está sediado o canal televisivo foi respondida por uma equipa do departamento antiexplosivos das autoridades nova-iorquinas Reuters/KEVIN COOMBS
O senador republicano do Arizone, Jeff Flake, na zona do edifício da Time Warner LUSA/JUSTIN LANE
O camião que transporta o explosivo afasta-se do edifício da CNN, em Nova Iorque LUSA/JUSTIN LANE
Os portões da casa de Bill e Hillary Clinton, onde foi encontrado um dos explosivos Reuters/CARLO ALLEGRI
A antiga secretária de Estado norte-americana e rival de Donald Trump na corrida à Casa Branca falou sobre o ataque num comício esta quarta-feira LUSA/CRISTOBAL HERRERA
A congressista Debbie Wasserman Schultz, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, um dos financiadores do Partido Democrata George Soros e o antigo Presidente norte-americano Barack Obama foram alguns dos alvos da tentativa de ataque Reuters/STAFF
Num comício, Clinton disse que "estava bem", mas "como americana" encontrava-se assustada, apelando à união do país LUSA/CRISTOBAL HERRERA
A polícia local à porta de casa dos Clinton, onde um engenho foi encontrado na terça-feira LUSA/PETER FOLEY
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Trump e Pence condenam

"Condenamos os violentos ataques lançados recentemente contra o Presidente Obama, o Presidente Clinton, a secretária [de Estado] Clinton e outras figuras públicas", disse Sarah Sanders, porta-voz da Casa Branca. "Estes actos aterrorizantes são desprezíveis e os responsáveis serão punidos pela lei. Os Serviços Secretos dos Estados Unidos e outras forças de segurança estão a investigar e vão tomar todas as medidas necessárias para protegerem quem for ameaçado por estes cobardes."

Mais tarde, o vice-presidente norte-americano Mike Pence qualificou estas acções como "cobardes" e "desprezíveis" numa mensagem partilhada no Twitter que foi posteriormente repartilhada por Donald Trump: "Concordo inteiramente".

Donald Trump Jr., o filho mais velho do Presidente norte-americano, também reagiu às ameaças, com uma mensagem partilhada no Twitter: "Como alguém cuja família foi vítima directa destas ameaças por correio, condeno os responsáveis independentemente do seu partido ou ideologia. Esta porcaria tem de acabar e eu espero que os responsáveis acabem na cadeia por muito tempo."

"São tempos conturbados", diz Hillary

Hillary Clinton, alvo de uma das encomendas, reagiu à tentativa de ataque num comício em Miami. "São tempos conturbados, não são? São tempos de divisões profundas e temos de fazer tudo ao nosso alcance para voltar a unir o país", declarou.

Na noite de terça-feira foi encontrada uma bomba de fabrico artesanal entre o correio do multimilionário George Soros, na sua casa em Bedford, no estado de Nova Iorque.

O engenho foi descoberto por um funcionário e levado para uma zona afastada da casa. Mais tarde, a polícia confirmou que continha um engenho explosivo de fabrico artesanal.

George Soros tem contribuído para causas consideradas progressistas, mais ligadas ao Partido Democrata. Essa influência valeu-lhe o ódio da direita norte-americana, passando a ser o centro de inúmeras teorias da conspiração sem fundamento, ou comprovadamente falsas. Por estes dias é acusado de financiar a caravana de imigrantes sul-americanos que se dirige para a fronteira dos Estados Unidos com o México.

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