FC Porto defronta um Lokomotiv de novo consistente, mas pressionado

Campeões russos atravessam a melhor fase da época, mas surgem diante dos “dragões” sem margem de erro, após duas jornadas sem pontuarem.

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Reuters/SERGEI KARPUKHIN

Dois jogos e duas derrotas, com um total de zero golos marcados e quatro sofridos, é um registo pouco abonatório para um cabeça de série da Liga dos Campeões, mas, após um início de época medíocre, o FC Porto irá encontrar esta noite (20h, TVI), em Moscovo, um Lokomotiv em retoma. Depois de vencer apenas dois dos 10 primeiros jogos oficiais de 2018-19, o experiente técnico Yuri Semin parece ter recuperado a afinação que conduziu os “ferroviários” à conquista do campeonato russo da última temporada, mas Sérgio Conceição terá um precioso trunfo a seu favor: a pressão estará do lado do Lokomotiv e os moscovitas sentem-se mais confortáveis quando não têm que assumir o controlo do jogo.

O treinador mantém-se, o esquema táctico não sofreu alterações e a equipa-tipo é quase idêntica, mas qualquer semelhança entre o surpreendente Lokomotiv que venceu na época passada o campeonato russo e o Lokomotiv dos primeiros dois meses desta temporada é pura coincidência. O terceiro adversário do FC Porto, que não era campeão russo desde 2004, conseguiu, com o regresso de Yuri Semin, interromper o domínio de Zenit, CSKA, Spartak e Rubin Kazan na última década, tendo como principal arma a sua enorme consistência defensiva, algo que não se viu nos moscovitas nos dez primeiros jogos desta época.

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Sem deslumbrar — o vice-campeão CSKA apresentou sempre um futebol bem mais atractivo —, o Lokomotiv conseguiu a proeza de vencer o campeonato russo com um inusitado saldo de 15 golos marcados nos 15 jogos disputados em casa, mas Semin soube jogar com as armas que tinha. Distribuindo a sua equipa num 4x2x3x1 robusto, o septuagenário técnico contou com uma defesa sólida — foi a menos batida da prova —, um meio-campo com dois jogadores fixos à frente do quarteto mais recuado e um trio de jogadores no apoio ao homem mais adiantado.

Sem surpresa, depois do inopinado sucesso, Semin mexeu o mínimo possível no início da defesa do título russo e no ataque à Liga dos Campeões. Apesar de ter perdido um dos pilares do sector defensivo — o central sérvio Nemanja Pejcinovic mudou-se para a China —, a contratação de Benedikt Höwedes parecia garantir fiabilidade, mas a parceria entre o internacional alemão e o georgiano Kverkvelia demorou a resultar.

No meio-campo, os “donos da bola” não mudaram. Se Denisov e Barinov praticamente apenas se preocupam em destruir o jogo ofensivo dos rivais, Aleksei Miranchuk e Manuel Fernandes garantem talento e, esta época, têm mais um aliado importante: o polaco Krychowiak. Faltam, no entanto, soluções no ataque para Semin. Com o peruano Farfán, o goleador da última época, e o internacional russo Smolov, contratado ao Krasnodar, lesionados, Éder é o jogador de área que resta. Mas nos 11 jogos que fez no campeonato russo e na Liga dos Campeões, o internacional português ainda não marcou qualquer golo.

Sem extremos na equipa e pouco poder de fogo na área, o cenário ideal para o Lokomotiv é deparar-se com adversários que assumem o controlo da partida: na época passada, Semin conquistou 14 pontos nos seis jogos contra Zenit, CSKA e Spartak, e, em todas partidas, teve uma percentagem de posse de bola inferior ao adversário.

Porém, hoje o Lokomotiv terá que assumir uma postura de risco. Contra um FC Porto no qual Marega terá de voltar a vestir o fato de ponta-de-lança — Sérgio Conceição deverá apostar no mesmo “onze” que derrotou na última jornada o Galatasaray —, Yuri Semin reconhece que os russos precisam de uma vitória para continuarem a lutar pelo apuramento: “Vou falar com os jogadores para os motivar e tentar fortalecer alguns movimentos, sobretudo no jogo ofensivo. Ganhámos os três últimos jogos do campeonato, toda a gente está a treinar bem e o moral da equipa está muito bom. Estou confiante que uma vitória nos dá uma boa oportunidade de continuar a lutar pelo apuramento.”