Atentado adia legislativas em Kandahar. O resto do Afeganistão vota no sábado

Eleições parlamentares foram adiadas três vezes devido à insegurança no país. Homicídio do chefe da polícia de Kandahar pelos taliban motivou nova suspensão, mas apenas naquela província afegã.

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Funeral do general Abdul Raziq, em Kandahar EPA/MUHAMMAD SADIQ
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Caixotes de boletins de voto, em Cabul Reuters/MOHAMMAD ISMAIL
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General Miller escapou incólume ao ataque taliban EPA/MUHAMMAD SADIQ

Aconselhado pelas autoridades eleitorais afegãs, o Presidente, Ashraf Ghani, decidiu adiar as eleições legislativas em Kandahar. Palco de um ataque reivindicado pelos taliban, na quinta-feira, que tirou a vida ao chefe da polícia e ao responsável pelos serviços secretos, a província do Sul do Afeganistão não vai, por isso, a votos no sábado. O resto do país, porém, mantém de pé umas eleições que têm sido sucessivamente adiadas, pela falta de segurança.

Citado pela Reuters, um porta-voz da Comissão Eleitoral Independente afegã justificou a recomendação pelo adiamento das eleições em Kandahar com o facto de a população “não estar moralmente preparada para votar”. Segundo a televisão Al-Jazira, a votação será levada a cabo daqui a uma semana.

O general Abdul Raziq, chefe provincial da polícia e figura militar reputada na luta contra os taliban na região, foi assassinado nas imediações do gabinete do governador de Kandahar, pouco depois de uma reunião com o Scott Miller, o general norte-americano que comanda as tropas dos Estados Unidos e da NATO estacionadas no Afeganistão – que escapou incólume.

Ataques como o de quinta-feira fazem parte da estratégia dos taliban para impedir a realização das eleições. O grupo defende que a votação é “fraudulenta” e está a aconselhar os afegãos a ficarem em casa no sábado, ameaçando com novos ataques e com o bloqueio de estradas. Desde o início da campanha, no final de Setembro, já morreram dez candidatos e outros dois foram raptados. 

Mais de oito milhões de afegãos registaram-se para decidir quais os 249 deputados que vão compor o Wolesi Jirga – a câmara baixa do Parlamento. Há cerca de 2500 candidatos, incluindo 418 mulheres.

Apesar de terem sido afastados do poder em 2001, os taliban ainda controlam um terço do país e são os principais responsáveis pelo clima de insegurança e de violência que obrigou ao adiamento de umas legislativas originalmente agendadas para o início de 2015 e adiadas por três ocasiões.

Com eleições presidenciais previstas para Abril do próximo ano, as autoridades afegãs querem fazer destas legislativas um exemplo. Nesse sentido e para não voltarem a sucumbir às ameaças dos taliban, com novo adiamento a nível nacional, estão determinadas em levar a votação avante.

“As eleições vão realizar-se de acordo com o que planeámos. Tomámos medidas e reunimo-nos regularmente. Não haverá qualquer problema”, garantiu à Al-Jazira Nasrat Rahimi, porta-voz do Ministério do Interior, revelando ainda que serão mobilizados “mais de 70 mil elementos das forças de segurança” para “garantir a segurança”.

A decisão de manter a realização das eleições em todas as províncias, à excepção de Kandahar, teve o apoio do general Miller. “A população do Afeganistão tem de se sentir orgulhosa das forças de segurança do seu país e dos preparativos que estão a ser feitos para estas eleições, apesar do lastimável e trágico incidente em Kandahar”, considerou o norte-americano, numa mensagem gravada numa rua próxima da embaixada dos EUA em Cabul.

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