Carlos Alexandre envolve-se em “guerra” contra o Governo

O juiz que acompanhou a fase de investigação da Operação Marques tomou partido por Mação, a terra onde nasceu, na "guerra" que a autarquia mantém com o Governo há vários meses devido às verbas para os prejuízos dos incêndios de 2017.

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Carlos Alexandre tomou partido pela terra onde nasceu NUNO FERREIRA SANTOS

O juiz Carlos Alexandre envolveu-se, directamente, na noite de quarta-feira, no confronto que a câmara de Mação mantém há vários meses com o Governo, devido às verbas destinadas a reparar os prejuízos causados pelos incêndios do ano passado. A autarquia do PSD não aceita estar entre os concelhos que apenas recebem 60% das verbas para os estragos e recusa ficar sem acesso às verbas que recentemente foram atribuídas a Portugal pela União Europeia para minorar os prejuízos causados pelos fogos de 2017. Carlos Alexandre, natural de Mação, tomou partido pelas reclamações da câmara e questionou o Governo.

Numa entrevista à RTP, na noite de quarta-feira, Carlos Alexandre revelou que estava em Mação no segundo incêndio, revelando que esteve “sitiado”. Depois, questiona as medidas tomadas pelo Governo, relativamente à terra onde nasceu.

“Eu gostaria de saber — eu e a comunidade maçaense, porque somos directamente interessados — (…) porque é que esse facto aconteceu". Por que é que nós fomos incluídos na portaria dos 60%", quando outros concelhos que também sofreram "grandes vicissitudes nas suas comunidades em termo de área ardida e de bens e valores foram contemplados a 100%". "É só isto que está em causa, é isto que me motiva”, afirmou ao programa Linha da Frente da RTP, que também causou polémica por Carlos Alexandre ter levantado dúvidas sobre a forma como a Operação Marquês foi parar às mãos do colega Ivo Rosa.

Esta declaração de Carlos Alexandre surge no programa da RTP1 logo após passarem imagens do presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, a lembrar que o concelho foi excluído dos 50,6 milhões atribuídos pela União Europeia para os prejuízos dos incêndios do ano passado.

Antes, e ainda a propósito dos incêndios que atingiram a terra onde nasceu, o juiz tinha citado o primeiro-ministro: “Se eu for a olhar pela terra que era conhecida pela terra dos três A – bom ares, bom azeite e boa água –, qualquer destas três componentes está neste momento fortemente atingida. Perfazendo o dr. António Luís Santos da Costa, primeiro-ministro de Portugal, que está primeiro-ministro de Portugal, eu também gostava de saber quem são os ladrões que me tiraram estas características da minha terra. Porque, de facto, os incêndios que ocorreram excedem a capacidade de compreensão de qualquer cidadão médio.”

A Assembleia Municipal de Mação aprovou a 19 de Setembro deste ano, por unanimidade, uma deliberação segundo a qual vai mesmo avançar com acções judiciais contra o Governo, por se sentir discriminada com os apoios dados pelo Estado após os prejuízos dos incêndios do ano passado.

O concelho de Mação foi um dos que tiveram mais área ardida nos incêndios florestais de 2017.