Marcelo considera “inevitável” que Orçamento esteja contaminado por clima eleitoralista

Chefe de Estado diz que é “impossível” não haver contaminação eleitoralista no documento apresentado pelo Governo quer nas propostas dos partidos que o apoiam quer da oposição. Marcelo também deixou um recado ao PSD.

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Marcelo deixou recado ao PSD LUSA/ANTóNIO PEDRO SANTOS

O Presidente da República admitiu esta terça-feira de manhã que o Orçamento do Estado tem nele uma “justiça social acrescida”, mas também é “inevitável” que contenha medidas eleitoralistas. Manifestou ainda satisfação por saber que as contas públicas não vão “descarrilar” quando comparadas com as de outros países.

“É possível utilizar folgas que vêm do crescimento económico, da redução do peso dos juros da dívida pública e, em geral, da gestão orçamental para ir mais longe num conjunto de despesas, nomeadamente sociais. Eu penso que esse é o exercício que está retratado neste orçamento”, comentou horas depois de o documento ter sido entregue na Assembleia da República.

Em Vouzela, onde esteve numa acção de devastação de eucaliptos na floresta, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que o clima eleitoral, que começou mais cedo com a antecipação das europeias para 26 de Maio, marca, de alguma forma, a proposta apresentada pelo Governo.

“É impossível não deixar de acontecer porque há uma sequência entre as europeias e as legislativas e é inevitável que os partidos todos estejam a pensar em eleições”, sustentou, não sem deixar o aviso, nomeadamente aos sociais-democratas, para que “não tenham nem congressos nem eleições internas durante este período e concentrem as suas campanhas a pensar nos actos eleitorais do ano que vem”.

Sobre o Orçamento, o chefe de Estado realçou que das propostas que tem tido conhecimento é “evidente” que, além de “uma procura de justiça social acrescida com a folga que o crescimento económico e gestão orçamental permitem”, há outras diferentes quer de quem apoia o Governo quer de quem está na oposição”. “Não digo que sejam propostas a pensar só em eleições, mas é inevitável”, voltou a frisar.

Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda estar confiante de que as contas públicas não vão descarrilar ao contrário de outros países membros da União Europeia como a Itália, França ou Espanha.

“Ainda há pouco o ministro das Finanças dizia que é uma preocupação fundamental, até ao final da legislatura, cumprir as metas, nomeadamente a do défice em termos europeus, isto numa altura em que lá fora isso não vai acontecer em países que vão ficar com défices muito mais elevados”, concluiu.