Meditação na Índia

O leitor Pedro Mota Curto partilha a sua experiência num templo de Bombaim.

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Neste local imperava o silêncio e a tranquilidade. Rodeado pela natureza em todo o seu esplendor. Do ponto mais alto avistavam-se as árvores, os campos e um verde contínuo, até ao horizonte. Pássaros. Não muitos. Sobretudo uns elegantes corvos. Plenos de personalidade. Convictos de que não só a vegetação mas também aqueles edifícios lhes pertenciam.

O espaço é amplo. Templos, escadarias, estátuas, restaurante, salas de meditação, o suficiente para justificar um dia inteiro de permanência neste gigantesco templo budista, situado a 70 quilómetros, para norte, do centro de Bombaim, na Índia.

Por aqui está tudo calmo. O silêncio apenas é perturbado pelo ocasional vento, pelo ondular das folhas das árvores, pelo saltitar dos corvos, pelo deambular dos lagartos por entre os arbustos e pelas ocasionais chuvadas, breves mas muito intensas, típicas do período das monções. O calor impera. A humidade também.

Global Vipassana Pagoda é a denominação deste templo budista, réplica de um famoso templo existente na Birmânia, Shwedagon Paya, em Rangum.

Visitar um templo budista, na Índia, também não é simples, tal a diversidade de deuses, demónios, rituais, a maioria desconhecidos das mentes europeias. As histórias e as epopeias milenares são inúmeras e intrincadas. Os templos, flamejantemente dourados, numa profusão de pináculos em direcção ao céu.

No pagode principal, com capacidade para oito mil fiéis, sentados no chão, de pernas cruzadas, só pode entrar quem possuir no seu currículo um curso de dez dias de meditação. Nos pagodes secundários, mais pequenos, foi possível entrar e efectuar três sessões de meditação, ao longo do dia, orientadas por monges que explicavam os segredos desta meditação.

No interior do Global Vipassana Pagoda existem alojamentos onde é possível permanecer ao longo de vários dias, num retiro de meditação budista, devidamente certificado. Este templo também possui, asseguraram-nos, verdadeiras relíquias de Buda, oferecidas pelo governo do Sri Lanka.

Em 2018, o budismo não é a religião principal dos indianos, apesar de a origem da religião budista estar precisamente na Índia. A maioria professa a religião hindu, seguindo-se a muçulmana. O budismo surge em terceiro lugar, antes do jainismo, do cristianismo e do zoroastrismo.

O budismo é um sistema religioso e filosófico, fundado pelo indiano Siddhartha Gautama, mais conhecido por Buda, que viveu entre o ano 566 e o ano 483 a.C. No início, conquistou muitos fiéis que trocaram o antigo hinduísmo pelo novo budismo mas, com o tempo, a maioria regressaria ao hinduísmo, muitos convencidos que Buda não era mais do que a reencarnação de Vishnu, um dos principais deuses hindus.

De acordo com Siddhartha Gautama, o objectivo do homem seria atingir o Nirvana, um estado permanente e definitivo de beatitude, felicidade e conhecimento, obtido através de disciplina ascética e da meditação, extinguindo definitivamente o sofrimento humano, desiderato alcançado por meio da supressão do desejo e da consciência individual.

Daí a importância atribuída à meditação no Global Vipassana Pagoda.

Pedro Mota Curto