Figo Maduro muda de sítio para ser “aeroporto de Estado”

Hangar das Forças Nacionais Destacadas passa para o Montijo e liberta espaço há muito desejado pela ANA.

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É de Figo Maduro que costumam partir as tropas portuguesas para missões no estrangeiro NFS - NUNO FERREIRA SANTOS

As alterações do dispositivo da Força Aérea por causa do novo aeroporto do Montijo vão levar também a um reajuste no aeródromo de Figo Maduro, que funciona na parte norte da pista do Aeroporto Humberto Delgado. 

O hangar das Forças Nacionais Destacadas, onde se guarda a carga que é levada para os teatros de operações e que inclui muitas vezes material explosivo, será deslocado também para o Montijo. A recepção e despedida dos militares que vão para missões internacionais, em que participam o ministro da Defesa e as famílias, passarão assim a realizar-se do outro lado do rio Tejo.

Com a libertação de espaço no Aeroporto Humberto Delgado, a ANA vai aproveitar para mudar de sítio o aeródromo militar e melhorá-lo, de forma a convertê-lo num verdadeiro “aeroporto de Estado”. Isto significa que ali ficarão os três Falcon que servem para transporte do Presidente da República, primeiro-ministro e membros do Governo, sendo criada uma zona VIP para receber os chefes de Estado e de Governo estrangeiros que chegam a Portugal em voos militares. Actualmente, as instalações existentes são as que foram criadas pela Força Aérea há várias décadas.

O plano de aumento de capacidade do Aeroporto Humberto Delgado, ligado à nova infra-estrutura civil do Montijo (que se estima ficar pronta em 2022), envolve também a autorização do Governo para encerrar de forma permanente a pista 17/35 (uma das duas actualmente existentes, mas que raramente é usada). 

Conforme já noticiou o PÚBLICO, a ANA diz que esta medida é “imprescindível para a realização de um conjunto relevante de investimentos que permitirão ganhar eficiência e capacidade, através da criação de novas áreas de estacionamento, novos caminhos de circulação de aeronaves e transferes”, além da relocalização de Figo Maduro. A empresa, detida pelo grupo francês Vinci, diz que a pista em causa tem sido encerrada temporariamente por diversas vezes e usada como zona de estacionamento, devido ao aumento de tráfego registado nos últimos anos, assegurando que não haverá impactos negativos em termos de segurança.