Câmara diz que requalificação da Mata da Albergaria exige 800.000 euros

Presidente de Terras do Bouro afirmou que o reordenamento do bosque precisa de uma verba superior aos 430.000 euros. O autarca quer que a obra arranque ainda em 2018.

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PAULO PIMENTA

Pintalgada por carvalhos e cascatas ao longo dos seus 5.000 hectares, a Mata da Albergaria envolve a estrada que liga a cascata de Leonte à Portela do Homem, mesmo na fronteira entre o Gerês e o Xurés, e ainda um troço da Via XVIII, a geira romana que ligava Braga e Astorga, ainda hoje repleta de marcos miliários dessa era. Esse bosque é também o alvo de uma das intervenções previstas no projecto-piloto para o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), aprovado a 15 de Dezembro de 2016, pelo Conselho de Ministros, e apresentado a 30 de Junho de 2017, nas Portas do Mezio, em Arcos de Valdevez.

Com uma estimativa orçamental de 8,4 milhões de euros para todo o projecto, a resolução do Conselho de Ministros atribui ao reordenamento da Mata Nacional da Albergaria uma verba de 430.000 euros, repartida por três anos - 200.000 euros no primeiro ano, 120.000 no segundo e 110.000 no terceiro. Mas, na sequência da apresentação do projecto-piloto decorrida em Terras de Bouro, na terça-feira, o presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro afirmou que a intervenção requer 782.000 euros para as duas fases de execução.

O autarca disse ao PÚBLICO que a primeira fase da obra, centrada na requalificação da estrada entre Leonte e a Portela do Homem, custa 502.000 euros. Já a segunda, destinada à marcação da via, ao melhoramento e à colocação de sinalização, à implementação de um sistema de escoamento de águas e à criação de bolsas para estacionamento, chega aos 280.000 euros, com a Câmara a disponibilizar-se para cobrir 50% desse custo.

O projecto, tal e qual está descrito na resolução do Conselho de Ministros, contempla tais intervenções, de forma a promover o uso de transportes alternativos e a “fruição do espaço natural”, o “ordenamento da visitação massiva sazonal” e a “adoção de uma conduta responsável” de quem lá se desloca.

Manuel Tibo assumiu que um dos objectivos do projecto para a Mata da Albergaria, Reserva Biogenética do Conselho da Europa, é fazer com que os turistas circulem mais a pé, apesar de serem permitidas viaturas na estrada. O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) também está envolvido no projecto, e o director para as florestas do Norte, Armando Loureiro, concordou que o reordenamento visa sobretudo “regular o fluxo de turistas” que visitam a mata.

A Câmara e o ICNF aguardam, neste momento, a assinatura do protocolo tripartido com o Fundo Ambiental – um dos principais financiadores do projecto-piloto para o PNPG, a par dos fundos comunitários do POSEUR – para avançarem com a obra. Manuel Tibo quer iniciá-la ainda em 2018, para a concluir antes do Verão, já com as duas fases incluídas. “Queremos lançar a obra a concurso ainda neste ano e até iniciá-la em 2018. A requalificação tem um prazo de execução entre 90 e 120 dias. Se decorrer dentro dos prazos que queremos, está concluída antes do Verão”, disse.

A obra na Mata da Albergaria integra um projecto, anunciado em Agosto de 2016 pelo Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, com 11 projectos e quatro objectivos gerais: a restauração de áreas florestais afectadas por incêndios, que sejam relevantes a nível de conservação, o ordenamento florestal de áreas com habitats naturais prioritários – casos do pinheiro-silvestre e do teixo -, a promoção do desenvolvimento socioeconómico e de oportunidades de negócio na região, nomeadamente a agricultura, e o envolvimento da população e dos agentes locais na concretização das intervenções.

A resolução do Conselho de Ministros indica que os projectos com maior financiamento previsto são a mobilização de equipas e equipamentos para complementar a acção do Corpo Nacional de Agentes Florestais (3,8 milhões de euros, em seis anos) e a rearborização da Mata do Mezio (1,2 milhões de euros, em oito anos).