OPV da Sonae? “É assim que o mercado funciona”

O presidente da Euronext Lisboa, Paulo Rodrigues da Silva, encara com normalidade o cancelamento da entrada em bolsa da Sonae MC e salienta os “dias de grande turbulência”

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NELSON GARRIDO

O presidente da Euronext Lisboa, Paulo Rodrigues da Silva, diz que é compreensível que a Sonae MC tenha travado a entrada em bolsa, que já tinha arrancado junto dos investidores. A concretizar-se, teria sido a primeira grande operação do género desde 2014 na Bolsa de Lisboa, mas a empresa detentora da cadeia de retalho Continente voltou atrás justificando a decisão com a falta de condições de mercado.

“Não tenho frustrações em matérias que não posso controlar”, disse o presidente da Euronext Lisboa nesta sexta-feira, em Lisboa, na manhã seguinte ao anúncio do cancelamento da oferta pública inicial da Sonae MC.

“A operação de retalho estava condicionada à operação dos institucionais, falámos com a empresa, falámos com o regulador, é preciso ter consciência de que é assim que o mercado funciona”, sublinhou Paulo Rodrigues da Silva.

Embora destaque que o dia em que a oferta pública de venda (OPV) inicial da Sonae foi cancelada foi também um dos dias de maiores transacções na bolsa portuguesa, o mesmo responsável confirma que “há claramente uma grande instabilidade nos mercados”. “Ao longo do roadshow o emitente considerou que o timing não era o mais adequado”, acrescentou.

Citou a “volatilidade” nas bolsas - que têm registado “dias de turbulência” com quedas consecutivas -, as dúvidas sobre as finanças públicas de Itália, a “guerra comercial” entre EUA e China e o “Brexit” para explicar essa instabilidade. Mas não quis alongar-se sobre a decisão do emitente. Até porque decisões deste género “já ocorreram na Euronext e noutros locais", aludindo ao caso de uma empresa que alargou o prazo da sua operação de entrada em bolsa e a uma outra operação que foi mesmo cancelada.

Ainda assim, sublinhou que “a história mostra que depois da redução da volatilidade, o mercado volta a registar entradas [em bolsa], e que acabam por ser essas que têm depois maiores valorizações”.