Teresa Morais acusa direcção de Rio de vetar deputados

Deputados atacam direcção do PSD na reunião de bancada.

Teresa Morais foi governante de Passos Coelho
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Teresa Morais foi governante de Passos Coelho Miguel Manso

Teresa Morais, ex-vice-presidente da anterior direcção de Passos Coelho, lançou um duro ataque à direcção de Rui Rio na reunião da bancada do PSD desta quinta-feira de manhã, que decorreu à porta fechada. A deputada acusou a direcção de Rio de vetar intervenções de deputados que têm experiência e que estão com vontade de trabalhar e de colaborar, como ela própria, segundo relatos feitos ao PÚBLICO. Vários deputados criticaram a direcção de Rui Rio. No final da reunião, Fernando Negrão não prestou declarações aos jornalistas.

A antiga secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares não poupou nas palavras e queixou-se de ser afastada das intervenções em plenário por indicação superior da direcção do partido, o que não compreende dado que a sua vontade é a de colaborar e de trabalhar como deputada. Teresa Morais disse não estar envolvida nem ter visto qualquer conspiração por parte dos deputados contra a liderança de Rio.

Líder solidário

Numa intervenção de resposta, o líder da bancada Fernando Negrão disse ser solidário com Teresa Morais. Algumas intervenções depois o ex-líder da bancada Hugo Soares questionou directamente a direcção do grupo parlamentar por não ter contrariado as alegações de Teresa Morais e quis saber se se confirmava o veto à deputada. Mas a questão foi remetida para a direcção nacional.

As críticas de Teresa Morais surgem depois de Rio ter sugerido que os críticos internos estão a gerar ruído e estão contra a direcção por estarem preocupados com os seus “lugarzinhos” nas próximas listas de deputados das quais muitos dos actuais eleitos receiam ser afastados.

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Fernando Negrão

Hugo Soares lançou ainda uma crítica às declarações do secretário-geral do PSD, José Silvano, quando afirmou, em reacção à entrevista do primeiro-ministro à TVI na passada semana, que o partido ia apresentar propostas concretas no Orçamento do Estado (OE). O ex-líder parlamentar do PSD considerou que essas declarações configuravam uma crítica à direcção anterior do PSD e lamentou-as tendo em conta que a bancada apresentou mais de 50 propostas ao OE no ano passado.

Fazer oposição

Rui Rio foi também o alvo do deputado Carlos Abreu Amorim por não fazer oposição ao PS. Essa oposição está a ser feita por Fernando Negrão nos debates quinzenais, defendeu o deputado, acrescentando que ouve essa queixa de que o líder do PSD não faz oposição ao PS por parte de centenas de militantes. Carlos Abreu Amorim alinhou pela opinião de Teresa Morais ao dizer que há outros deputados que não estão a ser chamados a intervir no Parlamento.

Outra voz crítica de Rui Rio foi a do ex-ministro da Defesa José Pedro Aguiar-Branco que acusou o líder do PSD de não fazer oposição com um tema tão relevante como o de Tancos. Outro deputado que se levantou para falar sobre o caso de Tancos foi Marco António Costa, que é presidente da comissão parlamentar de Defesa. O ex-vice-presidente do PSD defendeu que a autoridade política do ministro da Defesa está minada e fez um paralelo com os incêndios do ano passado em que o primeiro-ministro teimou em não substituir a titular da posta da administração interna depois de Junho.

Marco António Costa veio apoiar publicamente, ainda que a título individual, a criação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre Tancos, proposta pelo CDS, mesmo antes de o PSD assumir o voto a favor da iniciativa.

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Marcelo de visita a Tancos

Na passada semana, já depois de ser conhecida a informação de que o ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar tinha entregue uma memorando sobre a recuperação das armas ao antigo chefe de gabinete do ministro da Defesa, Rio disse preferir esperar para ver se se confirma que Azeredo Lopes estava a par da encenação feita para a recuperação do material militar. O líder do PSD não pediu a demissão do ministro, remetendo essa decisão para o primeiro-ministro.

Abraço amigo a Pedro Duarte

António Almeida Henriques, presidente da Câmara de Viseu, mostrou a sua indignação sobre as críticas feitas a Pedro Duarte na reunião da distrital do Porto na passada segunda-feira. “Onde chegámos! Nunca um ‘general’ ganhou batalhas sem ‘tropas’! O PSD sempre foi um partido aberto, disponível a novas ideias, os militantes têm o direito de se expressar livremente e civicamente contribuírem para a melhoria da democracia”, escreveu o autarca na página de Facebook, deixando um “abraço amigo” a Pedro Duarte.

O comentário do ex-mandatário nacional de Santana Lopes foi escrito junto da partilha da notícia do PÚBLICO que referia a “ameaça do PSD-Porto” em “retirar a confiança política a Pedro Duarte”, eleito para a Assembleia Municipal daquela cidade nas autárquicas de 2017.

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Pedro Duarte

Pedro Duarte desafiou a liderança de Rui Rio em Agosto passado e criou entretanto um movimento cívico de reflexão com figuras independentes da sociedade entre as quais está Francisco Ramos, presidente do movimento de apoio a Rui Moreira.