Lixo vindo de outros países viajou até praia de Viana do Castelo

Detritos provenientes da Malásia, Alemanha e Espanha deram à costa na Praia do Cabedelo, em Viana do Castelo, ao longo de 2017.

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Manuel Roberto

Lixo com origem na Malásia, Alemanha e Espanha está entre os 200 quilogramas de detritos recolhidos em 2017 na praia do Cabedelo, Viana do Castelo, no âmbito de um projecto de monitorização do lixo marinho, avançou esta quinta-feira a câmara local.

Com base em dados recolhidos pelo Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental (CMIA) de Viana do Castelo, que entre os 200 quilos de resíduos constam vassouras, molas da roupa, peças de fogo-de-artifício, seringas, tampões auriculares, frasco para análises clínicas, cotonetes, fita de identificação do hospital, entre outros artigos, adianta a fonte autárquica à agência Lusa. 

No total, "os 200 quilos de resíduos recolhidos naquela praia incluíam 6.100 materiais para catalogação".

No próximo sábado, às 11h30, no Centro de Alto Rendimento de Surf (CAR), na praia do Cabedelo, a Câmara de Viana do Castelo irá formalizar a sua participação no projecto de monitorização do lixo marinho através da assinatura do respectivo protocolo com a APA.

O projecto de monitorização do lixo marinho foi lançado em 2013 pela APA, em colaboração com as Câmaras de Ílhavo, Póvoa do Varzim, Pombal, Torres Vedras, Lagos e Faro, e com as suas delegações regionais (Norte, Centro, Tejo e Oeste, Alentejo e Algarve).

Dando cumprimento às orientações da Convenção para a Protecção do Meio Marinho do Atlântico Nordeste (OSPAR), adiantou o CMIA, "todos os anos é realizada a monitorização quatro vezes (uma por cada estação do ano), abrangendo áreas com uma extensão entre os 100 metros e 1.000 metros). Os materiais recolhidos são identificados de acordo com o guia OSPAR que define as cerca de 140 categorias onde devem ser catalogados os resíduos".

"A praia do Cabedelo é monitorizada desde 2002 pois integrou o grupo de praias que participou no projeto piloto sobre lixo marinho organizado pela Convenção OSPAR", sustenta o CMIA.

Só em 2017, numa área de 100 metros, foram recolhidos 120 quilos de resíduos para caracterização, onde foram identificados 137 cotonetes, 127 beatas, 432 pedaços de plástico, entre outros materiais, segundo os dados do CMIA.