#RespectBattles: uma batalha de rap contra a discriminação

Uma batalha de rap coloca frente a frente a rapper M7 e Kiki Pais de Sousa. A primeira é Marta Bateira, também conhecida pela personagem Beatriz Gosta. A segunda é uma mulher transexual, conhecida por expor a sua história de vida em defesa da comunidade LGBTI (Lésbica, Gay, Bissexual, Transgénero e Intersexo).

Mas esta não é uma batalha de rap comum. Aqui, a rapper dirige palavras de encorajamento à adversária que se mantém em silêncio. Sob o lema Combate o Ódio com Respeito, o movimento #RespectBattles faz parte de uma campanha da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) que pretende combater os crimes de ódio.

“Quisemos transformar o insulto das batalhas de rap em mensagens de respeito e tolerância”, começa por dizer ao P3 Mafalda Valério, da APAV. O objectivo é, não só alertar a sociedade para a “falta de sensibilização face aos crimes de ódio”, como também encorajar as vítimas a “saírem da escuridão”. “Queremos", sublinha, "que a população reflicta sobre o assunto e, sobretudo, queremos que as vítimas não tenham medo de denunciar”. “Estamos aqui para apoiá-las.”

Chamaram rappers portugueses para ajudar na missão. “Não queríamos actores”, refere a psicóloga da APAV, explicando que os artistas foram escolhidos para “dar a cara por uma causa em que acreditam”. Foi assim que chegaram a Marta Bateira. Não fazia rap desde 2008, mas abriu uma excepção para a campanha. “Identifiquei-me logo, é um tema que me sensibiliza”, revela a artista, que, por essa razão, escolheu logo a temática LGBT quando foi contactada. Escreveu a letra com Marcos Cruz e garante que a interpretação foi genuína. “A letra tinha de ser clara e eu sou assim, encaro as coisas com raça, principalmente as ideias que defendo.” 

Marta pretende incentivar a mudança, até porque em Portugal ainda se “sente muito a discriminação”. “A sociedade tem de mudar e eu quero mesmo contribuir para que todos os que são discriminados tenham uma vida normal”, diz. Opinião semelhante tem Mafalda Valério, que tem a noção do trabalho árduo que tem pela frente numa “sociedade que ignora ou desconhece completamente os casos de violência discriminatória”.

A campanha é composta por cinco vídeos, todos com uma batalha de rap, todos por uma causa diferente. Além do vídeo de M7, já estão disponíveis outros dois: um de Malabá sobre vários tipos de discriminação e outro da autoria de Ace sobre ódio étnico e racial. A 15 de Outubro sairá o vídeo de Papillon sobre a intolerância religiosa e a 22 o de Estraca que abordará o ódio a imigrantes e refugiados.

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