Opinião

Potenciar a internacionalização dos advogados portugueses e da lusofonia

O Congresso do Porto da União Internacional de Advogados tem todas as potencialidades para permitir a internacionalização da advocacia portuguesa.

A oportunidade única de realizar um Congresso Mundial de Advogados na cidade do Porto, em outubro e novembro, tem de ser agarrada por todos os advogados portugueses e dos colegas dos restantes países da lusofonia, com unhas e dentes!

Não são muitas as vezes que uma organização internacional com quase cem anos (1927), agrupando mais de 200 Ordens, associações e federações de advogados de mais de 120 países e representando cerca de dois milhões de advogados espalhados pelos cinco continentes, como é o caso da União Internacional de Advogados (UIA), resolve fazer o seu 62.º Congresso em Portugal. E sendo uma ocasião rara tem de ser devidamente aproveitada.

É uma oportunidade única de permitir estreitar o relacionamento entre os advogados portugueses e os colegas de muitas outras jurisdições, da Europa, da América, do Médio Oriente, da África e da Ásia. Vamos ter mais de mil advogados de mais de 100 países presentes. Quando é que um normal advogado português teria a oportunidade de, numa semana e num único local, em território nacional, sem gastar muito em deslocações, se encontrar e estabelecer relacionamento comercial com outros colegas de tão diferentes jurisdições? Quando poderia alguma vez falar com um colega chinês, egípcio, do Uruguai, da Costa do Marfim, em poucos metros?

Uma aposta na internacionalização consome sempre inúmeros recursos, sejam monetários ou de tempo, que poucos advogados portugueses podem almejar. Normalmente essa hipótese fica reservada a uns poucos, pela sua dimensão ou especial sacrifício. Tudo isso pode ser evitado, com idênticos resultados, aproveitando a semana do Congresso da UIA.

E não se diga que se irá perder nos corredores da Alfândega do Porto sem saber com quem falar, pois o Congresso está bem dividido em várias sessões temáticas organizadas pelas diversas Comissões da UIA, onde pode facilmente encontrar apenas os colegas estrangeiros que estão especializados nos temas que também mais lhe interessam, sejam a arbitragem e a mediação, os transportes, a banca, o contencioso, o societário e o comercial, o ambiente, o trabalho, o fiscal, a propriedade intelectual, o desporto, o administrativo, startups, robótica, entre muitos outros.

Assim, será mais fácil encontrar exatamente quem procura e estabelecer as primeiras relações internacionais. Nunca se sabe se deste Congresso não vai sair o caso internacional da sua vida!

Vai poder encontrar advogados estrangeiros em pratica individual, em pequenas sociedades familiares ou integrados nas grandes sociedades internacionais, inglesas, chinesas, italianas, francesas, alemãs, etc. E com Portugal, neste momento, a recolher as atenções do Mundo, não será difícil que algum colega estrangeiro esteja igualmente a procurar um advogado português para lhe pedir colaboração em Portugal para o seu cliente internacional.

Este Congresso do Porto da UIA tem todas as potencialidades para permitir a internacionalização da advocacia portuguesa.

Mas penso que pode ainda ser mais. A organização do Congresso tem vindo a fazer um grande esforço para trazer colegas dos países de expressão portuguesa, que normalmente têm dificuldade em participar nestas iniciativas. Os nossos colegas brasileiros desde há muito que intervêm ativamente na UIA, mas para os angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos, sãotomenses, guineenses, esta pode também ser uma excelente oportunidade, que não voltarão a ter tão cedo, para se relacionarem com os colegas de Portugal e de outras jurisdições.

No Congresso vai ser realizada uma sessão especial da lusofonia, centrada nos problemas jurídicos do investimento nas nossas jurisdições, que contará com participantes de todos os países de expressão portuguesa, esperando que se possa tornar numa festa da advocacia da lusofonia.

Este é o meu desejo e a minha esperança, que este Congresso do Porto possa ajudar os advogados portugueses e de toda a lusofonia a potenciar a sua internacionalização. Tem todas as capacidades para o fazer, cabe a cada um de nós torná-lo realidade.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico