Opinião

A Bruta Flor do Quereres Eleitoral no Brasil: corrupção, violência e renovação

Este é o efetivo e real contexto em que se encontra a sociedade brasileira e foi neste domingo que esta mesma sociedade foi às urnas para votar.

É difícil dizer, mas os resultados parciais das eleições no Brasil demonstram coerência do eleitor. A crítica que recai sobre a população média por estar se posicionando a favor de um fascista é válida, no entanto merece ser contextualizada pela tão sofrida realidade brasileira.

Segundo recente pesquisa do Atlas da Violência, o Brasil tem taxa de homicídio 30 vezes maior do que Europa e, com 62,5 mil mortes violentas intencionais em 2016, pela primeira vez na história, o país superou o patamar de 30 homicídios a cada 100 mil habitantes.

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No âmbito da percepção sobre a corrupção, nunca o país ocupou posição tão baixa no Índice de Percepção (IPC), segundo relatório da Transparência Internacional: atualmente, o Brasil é o 96.° lugar na lista de 2017, que avaliou a corrupção do setor público em 180 países. De acordo com pesquisa do instituto brasileiro Datafolha realizado em junho deste ano, para o eleitor a corrupção é o principal problema do país, empatado com saúde.

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Este é o efetivo e real contexto em que se encontra a sociedade brasileira e foi neste domingo que esta mesma sociedade foi às urnas para votar. O candidato Jair Bolsonaro (PSL) obteve 46,16% dos votos e disputará uma segunda volta com o candidato Fernando Haddad (PT) com 29,19%. Os principais motivos da escolha do eleitor para Presidente em Bolsonaro são: projetos anticriminalidade; ideais de mudança; o discurso do candidato e projetos anticorrupção.

Bolsonaro pertence a um partido pequeno, não possui processos perante a justiça relacionados com corrupção e nunca havia concorrido ao cargo de Presidente, apesar de ser deputado federal de longa data. Haddad, por sua vez, foi ministro da Educação do Governo Lula e prefeito da cidade de São Paulo, se tornou candidato devido ao impedimento do ex-Presidente Lula em razão de estar cumprindo pena na prisão. Todas as segundas-feiras Haddad visita Lula para ouvir conselhos políticos e estabelecer estratégias de campanha.

Nas eleições legislativas, a renovação do Senado Federal foi uma das maiores da história, pois dos 31 senadores que terminavam o mandato e disputaram a reeleição apenas oito alcançaram este objetivo. Como comparativo, nas eleições de 2010 foram reeleitos 17 senadores de um total de 28. É importante mencionar que em 2018 mais da metade dos candidatos à reeleição no Senado estavam envolvidos em processos de corrupção que tramitam no Supremo Tribunal Federal.

A democracia é um regime que não existe per si ou para gerar privilégios, ela existe para produzir igualdades e liberdades que os partidos que governaram o país nos últimos 30 anos prometeram e não entregaram ao povo, real detentor do poder.

É fundamental dizer que numa democracia o poder que emana do povo existe para ser “representado” temporariamente por partidos políticos que se alternam no poder e jamais poderá ser “tomado” – ao contrário do dito recentemente por José Dirceu, ex-ministro da Fazenda do PT, saído da prisão há poucos dias onde cumpria pena por corrupção.

Em suma, o quereres social está exigindo as promessas não cumpridas da democracia e o ideal seria que o candidato escolhido pelos eleitores fosse unanimidade e um verdadeiro Estadista para a “mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor. Mas a vida é real e de viés” e independente de qual candidato vencer, o fato é que o quereres eleitoral nos trópicos, como diria o grande poeta e músico brasileiro Caetano Veloso, é bruta flor.

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