O chapéu que Melania usou no Quénia é um símbolo do colonialismo

A primeira-dama dos Estados Unidos visitou o Parque Nacional de Nairóbi, no Quénia, e gerou polémica devido à escolha de chapéu.

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Reuters/CARLO ALLEGRI
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Na sua primeira viagem oficial ao estrangeiro a solo desde a eleição de Trump, Melania esteve de visita a vários países africanos. Na sexta-feira, num passeio ao Parque Nacional de Nairóbi, a primeira-dama norte-americana suscitou uma onda de protesto nas redes sociais devido à escolha de indumentária — mais concretamente, o chapéu branco redondo, que muitos consideram ser um símbolo do tempo do colonialismo.

Este tipo de capacete é conhecido em inglês como pith helmet, devido ao material (sholapith) com que é feito, explica o Guardian. "Eram usados por exploradores europeus e administrativos imperiais em África e partes da Ásia e Médio Oriente no século XIX, antes de serem adoptados por oficiais militares, tornando-se um símbolo de status — e opressão", escreve o jornal britânico, notando ainda que, apesar de há muito terem sido substituídos, há quem ainda os use de forma cerimonial em certos países, bem como turistas com "experiência limitada nas condições e sensibilidades locais".

Segundo um doutorando da Universidade de Columbia, Elliot Ross, citado pelo Independent, "o capacete é por vezes usado para denotar um espírito de aventura e exploração" e "isso é errado". O académico considera a escolha da primeira-dama "inadequada".

No Twitter multiplicaram-se as críticas. "Melania completa o triplo de estereótipos — elefantes, orfãos e o pith helmet", comenta o professor de história africana, Matt Carotenuto. "Se os colonialistas tivessem câmaras HD e Twitter, iria ser mais ou menos assim. Um safari, um pith hat e os único quenianos mostrados são soldados. Parece coerente com uma administração que chamou aos países africanos 'merdosos'", acrescenta o cientista político e colunista do Washington Post, Brian Klaas, em referência a um vídeo partilhado pela própria primeira-dama.

O percurso de cerca de uma semana da primeira-dama incluiu outros países como Egipto e o Maláui. Há quem considere a viagem uma espécie de tentativa de reparação aos comentários passados do Presidente: além de se ter referido a um país que não existe ("Nambia"), durante um almoço com líderes africanos na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, Donald Trump questionou por que razão é que os Estados Unidos deveriam receber pessoas de “países merdosos” [“shithole countries”, no original] e se não seria preferível abrir as portas a cidadãos de países como a Noruega.

Em resposta às críticas ao capacete, a primeira-dama pediu que as pessoas deixem de se focar naquilo que veste, mas sim naquilo que faz. "Sabem que mais, acabámos de completar uma fantástica viagem, fomos ao Gana, ao Maláui, ao Quénia e aqui estamos no Egipto. Quero falar sobre a minha viagem, não sobre aquilo que visto."

Esta não é, de longe, a primeira vez que a roupa de Melania é alvo de discussão: em Agosto do ano passado, quando chuvas torrenciais abatiam-se sobre Houston, viajou para o Texas de stilettos levando alguns a considerar uma opção pouco sensível à situação que a população vivia naquele estado —; e na visita de Trump à Ásia, em Novembro do ano passado, demonstrou um estilo pouco diplomático, diferente daquele adoptado por outras primeiras-damas. Mas de longe o caso mais polémico foi o do casaco da Zara que usou para ir visitar centros de detenção de crianças, com as palavras “I  really  don’t  care. Do u?” (“Não quero saber. E tu?”) — e que levou à criação de inúmeros slogans.

Notícia corrigida às 18h59. Onde se lia "candidato a doutoramento", lê-se agora "doutorando".