Benetton tem um novo director artístico, que já trabalhou com o Papa e Lady Gaga

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Imagem cedida pela Benetton

A Benetton anunciou esta semana que Jean-Charles de Castelbajac será o director criativo da marca — inaugurando esse mesmo título. Luciano Benetton, que este ano voltou a assumir o cargo de presidente da empresa italiana, depois de seis anos afastado, salienta a “experiência, carisma e capacidade de antecipar as tendências futuras sociais e na moda" de Castelbajac. "Fazem dele um grande activo para a nossa marca”, afirma em comunicado.

O criador natural de Casablanca entrou no mundo da moda em 1968, quando lançou, em parceria com a mãe (Jeanne-Blanche de Castelbajac), a marca de roupa Ko and Co. Não ficou por aí: em 1974 co-fundou a Iceberg — que nas suas origens era especializada em malhas e foi desenvolvendo uma estética de streetwear —; e em 1978 fundou a maison Jean-Charles de Castelbajac, que abandonou em 2016. Ao longo dos anos trabalhou com marcas como a Max Mara, Ellesse, Courrèges, Rossignol e Le Coq Sportif.

Colaborou também com figuras como Madonna — para quem criou um vestido feito de ursos de peluche, segundo o Guardian  —, como Lady Gaga — que também vestiu uma peça sua, feita de bonecos do Cocas, dos Marretas —; e até como João Paulo II.

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O Papa fala à multidão nas Jornadas Mundiais da Juventude de 1997, em Paris. Antonio RIBEIRO/Gamma-Rapho via Getty Images

Nos idos anos 1990, o Papa pediu-lhe para criar as vestes para si, 500 bispos e 5000 padres e o criador imaginou o Sumo Pontífice vestido com cruzes coloridas e os restantes membros da Igreja com uma faixa de cinco cores nas costas. Foi "o melhor motivo da minha vida", terá comentado mais tarde o Papa, de acordo com o jornal britânico. 

Conhecido pelo uso de cartoons, cores fortes e a cultura pop como temas das suas criações, Castelbajac destacou-se pela sua estética excêntrica e relação íntima com o mundo da arte. As suas criações foram expostas no Institute of Fashion and Technology de Nova Iorque, no Museu Victoria & Albert de Londres e no Museu Galliera em Paris. Está associado também ao movimento anti-fashion, que repudiava o lado mais descartável da moda. 

“A United Colors of Benetton e eu sempre tivemos a mesma visão sobre a moda, caracterizada pela paixão pelas malhas e preferência pelas cores pop e do arco-íris", comenta agora o criador, em comunicado. “A United Colors of Benetton visualizou o mundo de hoje: uma moda pop, colorida, acessível e universal, reforçada pelas imagens ponderosas de Oliviero Toscani.”

Após um hiato de quase duas décadas, o famoso fotógrafo provocador — responsável por campanhas como aquela que mostrava activista David Kirby no leito da morte, ao lado da família — regressou no final de 2017, primeiro com uma campanha que mostrava a diversidade numa escola primária italiana e planos para a programação cultural da Fabrica da Benetton. Meses depois lançou uma campanha com refugiados do Aquarius, que gerou polémica. Deixou claro qual seria o tom da comunicação da marca daqui para a frente: “Acho que o grande problema da sociedade hoje é a integração. Se não compreendermos que o grande problema da integração é uma incrível oportunidade, vamos perder a questão essencial.”

“Juntos, a United Colors of Benetton e eu vamos tentar criar o guarda-roupa do futuro, trazendo a beleza e o estilo para o dia-a-dia a preços acessíveis para todos”, afirma Castelbajac em comunicado.