Crónica

Ser representado

Sei que Marcelo Rebelo de Sousa esteve de madrugada com Carlos Carreiras e Basílio Horta, acompanhando os trabalhos contra o fogo. Vê-lo aqui, agora, comove-me. É uma figura heróica.

Depois do susto e do horror do incêndio chega a tarde de domingo e da janela da nossa casa vejo Basílio Horta a sair da igreja de Almoçageme enquanto começa a procissão da Nossa Senhora da Graça. À porta da igreja está Marcelo Rebelo de Sousa a conversar com Ferro Rodrigues.

Em Almoçageme é o dia mais importante do ano, talvez o mais importante de sempre, já que celebramos 250 anos seguidos das festas da Nossa Senhora da Graça.

Sei que Marcelo Rebelo de Sousa esteve de madrugada com Carlos Carreiras e Basílio Horta, acompanhando os trabalhos contra o fogo. Vê-lo aqui, agora, comove-me. É uma figura heróica. Disse que este ano vinha às festas e veio.

Não é só isso. É a maneira como está aqui. Está como se mais nada importasse. Não está com pressa nem está rodeado por polícias. Está entre a gente. Sorri. Está à vontade. Não tem nem pretensões nem falsa modéstia. É o nosso Presidente da República mas é à mesma Marcelo e Marcelo Rebelo de Sousa.

Ao contrário de outros Presidentes, Marcelo não veste a presidência quando é necessário. Consegue estar inteiramente nele próprio, sem fingimentos ou adereços protocolares. É por isso que as pessoas gostam tanto dele. Gostamos que ele aqui esteja mas não o vamos chatear só por ele estar aqui — é o mínimo que podemos fazer.

Senti-me representado por ele como me senti representado por Basílio Horta, por Ferro Rodrigues e por António Costa. Não há maior elogio que se possa fazer a um político. Senti-me descansado. Eles representam-me. Eles representam-nos.