Give Us A Break: “Antes de serem deficientes, são jovens”

“Integração não é termos um deficiente na turma, é conhecer a sua realidade e a maneira como vive.” É assim que André Vitorino descreve o objectivo do filme Give Us A Break, onde participa como actor. O vídeo retrata, de forma criativa, a vida de pessoas com paralisia cerebral. Isto é, a vida dos próprios actores, André Vitorino e Diogo Sacramento. “Queríamos fugir ao que já foi feito para apresentar a ideia contrária à imagem típica de herói”, diz André, actor por um dia, que só quer ser visto como uma pessoa normal, integrado. "Nós não somos heróis e sinceramente nem queremos ser. Algumas vezes corre mal, temos momentos felizes e outros embaraçosos."

Este "não é um vídeo institucional", mas sim um vídeo "sobre os jovens". "E só fazia sentido se os utentes fossem os próprios actores”, explica Fernanda Maurício, coordenadora do Gabinete de Voluntariado da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), que promoveu a iniciativa. A ideia é mostrar jovens com paralisia cerebral a serem… jovens. “Quisemos deixar para trás a ideia de paternalismo e mostrar que, antes de serem deficientes, são jovens”, diz Fernanda.

A produtora, a Casota Collective, habituada a realizar videoclipes, nunca tinha tido um projecto do género. O trabalho, revela o produtor Miguel Ferraz, foi uma experiência “muito gratificante e enriquecedora”. Opinião semelhante tem André Vitorino, que acredita ter passado no teste enquanto actor. “A experiência de participar no vídeo foi extraordinária. Como não sou actor, estava sem pressão e acho que isso ajudou à minha performance, que acabou por ser positiva”, graceja.

O vídeo foi produzido com recurso a fundos europeus, numa parceria da APCC com uma instituição congénere húngara. Esperam, de forma divertida, incentivar a reflexão. “Se alguma pessoa vir o vídeo e parar para pensar, já ganhamos", acredita Fernanda Maurício. "Se for viral, tanto melhor.”

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