Sonae MC na bolsa: Vantagens e riscos de investir num sector em mudança

Administração da Sonae SGPS “promete” distribuir em dividendos entre 40-50% dos lucros.

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NELSON GARRIDO

Desde o lançamento do primeiro hipermercado, em 1985, o negócio da distribuição alimentar da Sonae nunca mais parou de crescer. A estratégia seguida nos últimos 33 anos permitiu à Sonae MC ser líder de mercado no retalho alimentar (22%), no comércio online e diversificar para outros segmentos como a nutrição saudável ou para-farmácias. Com 709 lojas (49% dos activos imobiliários são detidos pela Sonae MC), gerou receitas (EBITDA) de 4,1 mil milhões de euros em 2017.

No âmbito da oferta pública de venda (IPO, na sigla em inglês) que a casa-mãe, a Sonae SGPS, acabou de lançar, a empresa apresenta como aspectos positivos do negócio a conjuntura económica positiva que se vive em Portugal, a sua diversificação (continua presente nos hipermercados, mas também tem vindo a apostar no comércio de proximidade e em novos formatos), a estratégia de crescimento e “o perfil financeiro sólido”, como se pode ler na apresentação que vai fazer aos investidores (roadshow).

Em relação à política de dividendos, aspecto muito valorizado para quem se propõe comprar acções de uma empresa, o Conselho de Administração avança como cenário alvo um rácio de pagamento de aproximadamente 40-50% do lucro líquido ajustado a itens não-recorrentes.

Mas no mercado financeiro há uma máxima que todos os investidores devem ter presente, que é a de que as rentabilidades passadas podem não se repetir no futuro. E, por isso, os potenciais investidores no IPO da Sonae MC são alertados para vários riscos (a leitura integral do prospecto, disponível na CMVM é importante).

E o primeiro risco apontado é o dos mercados nos quais a empresa opera serem “altamente competitivos”, e de “tais pressões competitivas de concorrentes directos e indirectos, existentes e novos, poderem ter um efeito material adverso na actividade e resultar em reduções nas suas quotas de mercado e rentabilidade”. É igualmente destacada a possibilidade de alteração das condições macroeconómicas em Portugal ou a nível regional e mundial, “que poderão ter um efeito material adverso na sua actividade”.

Entre muitos outros, é apontado o risco de a empresa não ajustar a sua estratégia “ às mudanças nas tendências dos hábitos de consumo ou rentabilidade das lojas”.

Os investidores são ainda alertados para um aumento do custo do financiamento e para o aumento ou mudanças na regulamentação governamental das áreas em que actuam.