Cinco momentos em que Banksy trocou as voltas ao mundo da arte

O artista surpreendeu ao fazer com que uma uma obra sua, que acabara de ser leiloada por 1,2 milhões de euros, se autodestruísse. O PÚBLICO lembra outros quatro momentos em que Banksy baralhou tudo e todos.

Foto
A autodestruição de "Girl With Balloon", esta sexta-feira Instagram de Banksy

1. A obra que se “foi” depois de leiloada

Uma obra de Banksy autodestruiu-se depois de ser vendida por mais de 1 milhão de libras (1,2 milhões de euros), num leilão, em Londres. Girl  With  Balloon (2006), uma das obras mais célebres de Banksy, foi leiloada pela Sotheby's, esta sexta-feira. Ninguém esperava é que a obra fosse retalhada no local, graças a uma trituradora de papel escondida na moldura, activada assim que o martelo assinalou a venda por 1,042 milhões de libras. Em jeito de assinatura, Banksy, artista de Bristol cuja identidade nunca foi oficialmente revelada, escreveu no Instagram: “Going, going, gone…” (a ir, a ir, foi-se).

2. Uma obra de Bansky por 44 euros?

Como prova o leilão desta sexta-feira na Sotheby's, em Londres, quando uma obra de Banksy aparece numa licitação de arte pode ultrapassar o milhão de euros. Mas quando o próprio artista decide pôr à venda os seus trabalhos sem rótulos, junto ao Central Park, em Nova Iorque, pode estar horas à espera que alguém dê 60 dólares (pouco mais de 44 euros) por um deles. Foi essa a experiência que conduziu em Outubro de 2013, com resultados curiosos: rendeu a Banksy 420 dólares (cerca de 365 euros), mas ainda o obrigou a transportar de volta muitos dos trabalhos expostos.

3. Um voto que valia uma obra de arte

A provocação foi lançada pelo artista de rua britânico nas eleições do ano passado no Reino Unido e prometia uma impressão limitada de uma obra da sua autoria a quem enviasse uma fotografia do boletim de voto que comprovasse que votara contra o Partido Conservador. A oferta acabou, contudo, por ser cancelada três dias antes das eleições por motivos de ordem legal. "Fui alertado pela Comissão Eleitoral que a oferta de impressões invalidaria os resultados eleitorais. Lamento informar que esta promoção legalmente duvidosa acaba de ser cancelada", justificava o artista.

4. Uma Disneylândia sombria  

Banksy chamou-lhe Dismaland, num jogo de palavras entre o mundo da Disney e o adjectivo dismal (sombrio). E apresentou-o como um “parque de estupefacções” impróprio para crianças que ocupou um complexo recreativo abandonado em Weston-super-Mare, junto ao Canal de Bristol. As “diversões” incluíam um castelo ao estilo Disneyland, um barco a abarrotar de refugiados, uma carruagem da Cinderella envolvida num acidente de viação fatal, ou uma mulher a ser atacada por gaivotas. Uma dezena de atracções foram concebidas pelo próprio Banksy, mas a maioria foi realizada pelos mais de 50 artistas que aceitaram o seu desafio para colaborar no projecto, nomeadamente Damien Hirst, Bill Barminski e a portuguesa Wasted Rita. E como qualquer parque de diversões, os visitantes podiam levar para casa uma recordação: uma fotografia no meio da carnificina.

PÚBLICO -
Foto
Reuters

5. Um hotel com vista para o muro da Cisjordânia

É um hotel peculiar que não esconde ter “a pior vista do mundo”, no caso o muro de betão que separa Israel da Cisjordânia. O Walled Off Hotel abriu ao público em Março do ano passado com uma oferta invulgar: nove quartos e uma suíte, decorados com obras originais de Banksy. Mas desengane-se quem pense que este é um hotel normal. O elevador não funciona (está emparedado com tijolos), a torre da banheira da "suíte presidencial" tem buracos que parecem feitos por balas e os bustos estão de lenço na boca e lata de gás aberta a soltar "fumo". Tudo para tornar lembrar: estamos em zona de guerra.

PÚBLICO -
Foto
Ammar Awad