Mais de 300 pessoas detidas em protesto contra Kavanaugh

Primeira votação do senado para indicar o juiz para a instância de recurso mais importante dos Estados Unidos acontece esta sexta-feira e a votação final este sábado. Hipóteses de Kavanaugh passar parecem cada vez maiores.

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A humorista Amy Schumer foi uma das centenas que se manifestaram contra a possível confirmação de Brett Kavanaugh para o Supremo. A maioria foi detida EPA/ERIK S. LESSER

Mais de 300 manifestantes, incluindo a humorista Amy Schumer, foram detidos em Washington enquanto faziam um apelo final aos senadores para que rejeitem o candidato ao Supremo Tribunal Brett Kavanaugh. A informação é avançada pelo jornal britânico The Guardian e a Reuters que dizem que o protesto, na quinta-feira, contou com “milhares” de pessoas.

Manifestantes gritavam e empunhavam cartazes à frente do edifício do Senado, no Capitólio, um dia antes dos senadores fazerem a primeira votação, esta sexta-feira, para nomearem o juiz escolhido pelo Presidente Donald Trump para a instância judicial mais alta dos Estados Unidos. A votação final é sábado.

E as hipóteses de Kavanaugh ser confirmado parecem cada vez maiores depois de dois senadores republicanos, cujo apoio é vital, Jeff Flake e Susan Collins, terem dito que ficaram satisfeitos com a investigação do FBI sobre as alegações de agressão sexual.

O momento da votação pode complicar-se com a ausência do senador republicano Steve Daines, cujo gabinete disse esta quinta-feira que o político planeia ir ao casamento da filha em Montana no sábado, o que o deixará indisponível para votar.

Os republicanos controlam o Senado por uma margem de 51-49. Com Daines fora de cena, o partido precisa que todos os outros republicanos votem em Kavanaugh para que seja confirmado no sábado. Isto caso todos os democratas se oponham a ele, o que também não é certo.

Kavanaugh, que também enfrentou críticas sobre uma "emotiva" aparição no Senado na semana passada, em que afirmou que as acusações eram "vingança em nome dos Clintons", fez mais um discurso para convencer os senadores com um artigo no Wall Street Journal desta sexta-feira admitindo que ele "pode ter sido muito emocional”.

Os manifestantes marcharam com um grito de guerra: “Nós acreditamos na Dra. Christine Blasey Ford”, a professora universitária que acusou Kavanaugh de a ter agredido sexualmente numa festa quando eram ambos adolescentes. Segundo a Reuters, seguravam cartazes a dizer "Acredite nos sobreviventes" e "Kava-Não".

"É hora de as mulheres serem ouvidas", disse Karen Bralove, aluna de Holton-Arms, a escola para raparigas que Ford frequentou no início dos anos de 1980, quando diz que Kavanaugh tentou violá-la. "Eu não sei se Brett vai ser confirmado, mas as mulheres e sobreviventes não vão mais ficar quietas."

Enquanto os manifestantes acenavam cartazes que diziam “Kavanaugh mente” e “Nunca mais” fora dos degraus do Supremo Tribunal, senadores reuniam-se à porta fechada no Capitólio, do outro lado da rua para digerir as descobertas de uma investigação do FBI sobre as acusações contra Kavanaugh. 

Tudo se precipitou quando um grupo de activistas e sobreviventes de ataques sexuais pegaram num megafone e, em cima de pódio improvisado, gritaram "Justiça agora". Muitos espalharam cartazes e sentaram-se no chão, tendo sido algemados pela polícia e levados.

"Hoje fui presa por protestar contra a indicação do Supremo Tribunal de Brett Kavanaugh, um homem que foi acusado por várias mulheres de agressão sexual", escreveu a modelo Emily Ratajkowski no Twitter. "Homens que atacam mulheres não podem nunca mais ser colocados em posições de poder."