PSD critica atrasos na integração de precários e causa estranheza à esquerda

Deputada diz que o PSD tem moral para criticar a falta de concretização de um programa contra o qual votou.

Carla Barros
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Carla Barros Enric Vives-Rubio

A deputada do PSD Carla Barros escolheu o tema da integração dos trabalhadores precários no Estado para criticar o Governo – sobretudo pelos atrasos no programa –, mas a intervenção foi recebida com estranheza pelas bancadas da esquerda. É que, como admitiu a própria deputada, o PSD votou contra a proposta do Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração PÚBLICA - PREVAP.

Na declaração política, Carla Barros começou por citar o Bloco de Esquerda que se referiu ao programa como “um problema bizarro”, criticando os “prazos 'derrapados'”, “calendários não concretizados” e “concursos prometidos que nunca foram abertos”. A deputada acusou o Governo de “cinismo” ao apregoar o combate à precariedade no privado e no público, quando, “ao invés, aumenta-a”.

A escolha do tema gerou estranheza à esquerda. “Quando soube que o PSD ia trazer o programa, pensei que era um erro. Depois pensei que era para pedir desculpa, para pedir desculpa aos 12 mil regularizados”, afirmou o socialista Tiago Barbosa Ribeiro, questionando o motivo de o PSD ter votado contra a proposta do PREVAP.

A comunista Rita Rato alinhou pelo mesmo argumento: “Quem nunca quis este programa não tem moral para o criticar. O PSD votou contra, e apresentou zero propostas na especialidade”.

Mas foi da bancada bloquista, pela voz de José Soeiro, que saíram as palavras mais duras. “Tenho de lhe fazer uma pergunta: A senhora deputada não tem vergonha na cara?”

Na resposta, Carla Barros alegou que o PSD tem “moralidade” para fiscalizar a acção do Governo, mesmo nas propostas em que votou contra. “São propostas destruidoras para o país, não modernizam a administração pública”, afirmou.

O conforto veio apenas da bancada do CDS. António Carlos Monteiro criticou PCP e BE por terem andado “a prometer tudo na caça ao voto”, prometendo a integração de 116 mil trabalhadores quando o que existe “é pouco mais de duas mil vagas abertas.”

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