Quem é Kathryn Mayorga, a mulher que acusa Ronaldo de violação?

“O que pensará Deus do que fizeste?”, é uma das perguntas que faz a Ronaldo numa carta revelada pela revista Der Spiegel.

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As fotos em que surgem Ronaldo e Kathryn Mayorga, numa festa antes da alegada violação, foram publicadas em vários jornais internacionais

A revista Der Spiegel descreve Kathryn Mayorga, norte-americana residente em Las Vegas, 34 anos, como “delgada, cabelo escuro e olhos verdes”. Durante a entrevista, que aceitou dar acompanhada pelos pais e pelo terapeuta, contou que se demitiu recentemente do seu trabalho como professora de educação física numa escola primária porque precisa “de todas as suas forças” para lidar com este caso e com a exposição mediática a que a denúncia apresentada a vai submeter.

A entrevista terá sido interrompida por mais de uma vez, para dar a Kathryn a possibilidade de se acalmar. Coube à mãe, Cheryl Mayorga, nesses intervalos, descrever o pesadelo em que diz que a filha vive depois de alegadamente ter sido violada pelo “Deus do futebol”. “A sua imagem está em todo lado, enquanto ela tem dias em que nem se consegue levantar da cama”, sublinhou a progenitora, dizendo-se a “100% com a filha”.

Enquanto cresceu, com o pai, a mãe e um irmão, Kathryn chegou a jogar futebol. Contou que a escola lhe foi difícil porque sofre de défice de atenção e tinha dificuldades de aprendizagem. Disse que é por causa disso que, ainda hoje, se põe a falar muito depressa. Ainda assim, conseguiu licenciar-se em jornalismo na Universidade do Nevada. Depois de se ter licenciado, em 2008, casou-se com o namorado, um albanês que conciliava o seu trabalho como barman com a reparação de computadores. Cerca de um ano depois, porém, o casal separou-se e Mayorga voltou para casa dos pais, num dos melhores bairros de Las Vegas, com piscina e vistas sobre a cidade.

Kathryn contou que atravessava um bom período quando terá sido violada, em Junho de 2009. “Trabalhava todos os dias, comia comida vegetariana e fazia muita coisa como modelo.” Uma das suas funções, tinha então 25 anos, seria frequentar bares para ajudar a atrair clientela. “Por causa disso, tentaram descredibilizar-me. Tentaram dizer ‘Bem, o emprego que tens não é um emprego de uma rapariga decente”. Mais tarde, e porque nunca terá tido hipótese de se confrontar com Cristiano Ronaldo durante a mediação, ter-lhe-á escrito uma carta de seis páginas que a Der Spiegel diz que é difícil de ler. “Tu atacaste-me por detrás. Com um rosário branco ao pescoço! O que pensará Deus do que fizeste?!”, terá escrito, acrescentando que nunca lhe interessou o dinheiro mas que se fizesse justiça.

À revista, alegou ainda que teve de abandonar o seu trabalho como modelo porque não conseguia sequer aproximar-se do hotel onde fora violentada. Tê-la-ão assaltado pensamentos suicidas. Contou que, durante o primeiro ano, bebia todos os dias. Mesmo quando viajava, custava-lhe esbarrar com o rosto do jogador nas t-shirts das crianças. Ao fim de cinco anos, terá começado a sentir-se melhor, muito por causa do seu trabalho como professora de educação física. Mas nunca voltou a ser feliz. “Vou-me abaixo. Culpo-o por me ter violado e culpo-me por ter assinado aquela coisa [o acordo]”, declarou.