Pela primeira vez em muitos anos, ninguém morreu atropelado no Porto, em 2017

Cidade manteve no ano passado número de atropelamentos, contrariando aumento verificado no país.

No Porto há 300 atropelamentos por ano, boa parte deles em passadeiras
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No Porto há 300 atropelamentos por ano, boa parte deles em passadeiras Maria João Gala

O Porto não acompanhou, em 2017, a tendência nacional de aumento dos atropelamentos com vítimas e, mais do que isso, na cidade não houve, no ano passado, uma única morte decorrente deste tipo de acidente mais habitual em espaços urbanos. Este é um “dado inédito, de há muitos anos”, considerou a vereadora da mobilidade, Cristina Pimental, durante uma apresentação, na Câmara, das medidas que a direcção de mobilidade e transportes tem vindo a levar a cabo para compatibilizar os vários usos da via pública e diminuir a sinistralidade.

Cristina Pimentel, tal como o director municipal Manuel Paulo Teixeira, consideram que este indicador é muito positivo – numa cidade em que a taxa de motorização não pára de aumentar, e em que os novos modos de transporte, alguns deles mais suaves, tentam ganhar espaço nos 705 quilómetros de estradas do Porto. Um exemplo das mudanças no modo de circulação é o recurso aos motociclos e ciclomotores que vem aumentando sustentadamente, quer no Porto, onde passaram a poder circular nas faixas bus, quer nos concelhos vizinhos.

No Porto, ainda assim, acontecem 300 atropelamentos por ano. E, por isso, quer a vereadora do pelouro, quer o director municipal assumiram que não se pode embandeirar em arco perante uma situação que continua a ser problemática e que pode mudar a qualquer momento. Durante a sua apresentação, Manuel Paulo Teixeira adiantou que o município tem um mapeamento meticuloso, com mais detalhe do que a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, notou, sobre os pontos onde acontecem atropelamentos, mesmo quando não há notificações às autoridades, e explicou que essa informação está sendo usada para definir prioridades de intervenção.

Esta direcção municipal definiu um plano de trabalho para eliminar situações de conflito de tráfego e de problemas no espaço público que pudessem estar na origem destes acidentes. Passadeiras mais visíveis de dia e melhor iluminadas à noite, tempos de atravessamento dos peões, alargados, colocação de pilaretes para impedir ultrapassagens junto a passadeiras ou o estacionamento em segunda fila, que retira visibilidade a condutores e peões foram alguns dos exemplos apontados por Manuel Paulo Teixeira deste “trabalho de formiguinha”, como lhe chamou Cristina Pimentel.