Três arquitectos ganham Prémio Fernando Távora com novo olhar sobre uma viagem do século XVI

Pedro Bragança, Filipa de Castro Guerreiro e Carla Garrido de Oliveira são os distinguidos desta edição. O seu projecto tem por mote o percurso e as gravuras de Duarte d'Armas realizadas no território português no início do século XVI, a pedido do rei D. Manuel I.

O castelo e a vila de Ouguela numa gravura de Duarte d'Armas para o <i>Livro das Fortalezas</i> (1509-1510)
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O castelo e a vila de Ouguela numa gravura de Duarte d'Armas para o Livro das Fortalezas (1509-1510) Arquivo Nacional Torre do Tombo

Os arquitectos Pedro Bragança, Filipa de Castro Guerreiro e Carla Garrido de Oliveira, investigadores do grupo Arquitectura: Teoria Projecto História (ATPH) do Centro de Estudos da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (CEAU-FAUP), são os vencedores da 14.ª edição do Prémio Fernando Távora.

O anúncio do vencedor da 14.ª edição do prémio foi feito na noite de segunda-feira, no salão nobre da Câmara Municipal de Matosinhos, nas comemorações do Dia Mundial da Arquitectura, numa organização da Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos (OA/SRN) com aquele município e a Casa da Arquitectura.

A OA/SRN realçou que, pela primeira vez, venceu uma proposta em co-autoria. O trabalho intitula-se Viagem pela viagem de Duarte d'Armas, perspectivas presentes de territórios limiares. "Esta viagem propõe perspectivar colectivamente imagens de futuro a partir de um olhar presente tendo por mote o percurso e as gravuras de Duarte d'Armas, realizadas no território português, no início do século XVI, a pedido do rei D. Manuel I", indica a descrição dos arquitectos vencedores, divulgada pela ordem.

Assim, e segundo o mesmo texto, "o tempo do olhar é também o do século XXI, numa condição permanentemente mediadora e interventiva na construção do território, entre a acção lenta de cinco séculos e os que então o antecederam , e a inquietação relativa às transformações futuras que queiramos e possamos induzir".

Na proposta vencedora lê-se ainda: "Viagem entre lugares e entre tempos, entre Castro Marim e Caminha, oscilaremos entre sincronia e diacronia, percorrendo territórios então marcados pela premente defesa de um limite político, sendo hoje a condição de fronteira tão mais complexa quanto intangível ou imaterial são outras as distâncias, outras as formas, outros os desígnios e os gigantes nos horizontes."

Segundo os autores, "em tripla perspectiva", a ideia é levar as pessoas a "olhar estes lugares pela lente de Duarte d'Armas, registando a metamorfose do que hoje permanece de então; em instância presente, redefinindo e ampliando o enquadramento à luz das formas e dinâmicas contemporâneas".

Os autores prometem procurar novas visões tão sintéticas quanto as gravuras de há cinco séculos. "Por fim, no desígnio de (re)conhecer caminhando, melhor formularemos a interrogação: que horizontes produzir para estes territórios?", rematam os investigadores da FAUP.

Carla Garrido de Oliveira é professora de História da Arquitectura Portuguesa na FAUP, doutorada em 2016 com a tese A Nossa Casa: Proposta de uma reforma moderna para a arquitectura portuguesa. 1890-1933, Trânsitos europeus na obra de Raul Lino.

Filipa de Castro Guerreiro é docente de Projecto 1, também na FAUP, doutorada em 2016 com a tese Colónias Agrícolas Portuguesas construídas pela Junta de Colonização Interna entre 1936 e 1960. A casa, o assentamento e o território. Com Tiago Correia partilha o Ateliê da Bouça.

Pedro Bragança é mestre em Arquitectura, investigador no ATPH e bolseiro da Fundação da Ciência e Tecnologia. Sob a coordenação de Marta Oliveira, efectua um projecto de investigação sobre o volume IV do Guia de Portugal (Fundação Calouste Gulbenkian), em parceria com a Midas Filmes e o realizador João Canijo.

O Prémio Fernando Távora de arquitectura foi instituído pela Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos em homenagem ao fundador da chamada Escola do Porto, investigador, viajante, pedagogo, que influenciou gerações de arquitectos, autor de um extenso Diário de Bordo, que acompanha uma viagem de meses, realizada no início da década de 1960, e que constitui um "laboratório do autor" e um testemunho sobre as vias que fizeram a contemporaneidade da arquitectura portuguesa.

O prémio distingue a melhor proposta de viagem de investigação, feita por arquitectos inscritos na ordem, e consiste numa bolsa de viagem.

A arquitecta Isa Clara Neves foi a vencedora da edição do ano passado.

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