Curdos iraquianos foram a votos um ano depois da tentativa fracassada de independência

KDP e PUK não têm grande oposição e ambicionam estender a liderança política de mais de três décadas na região no norte do Iraque. União Patriótica do Curdistão ameaçou não reconhecer os resultados.

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Votação decorreu este domingo EPA/GAILAN HAJI
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Eleitores votam liderança da região no norte do Iraque EPA/GAILAN HAJI
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Uma eleitora deposita o seu voto na urna EPA/GAILAN HAJI

Os curdos participaram este domingo numa eleição parlamentar na sua região no Norte do Iraque, com a actual coligação a ambicionar estender o seu mandato de poder partilhado, apesar do crescente descontentamento popular com a percepção de corrupção e as dificuldades económicas.

A votação acontece um ano depois da região de seis milhões de pessoas, que ganhou o estatuto semi-autónoma após a Guerra do Golfo (1991), ter feito uma tentativa fracassada de se separar do resto do Iraque, numa campanha organizada por Masoud Barzani, líder do Partido Democrático do Curdistão (KDP).

Barzani manteve a sua base de apoio, mas o seu impulso de independência provocou uma intensa reacção do Governo de Bagdad, cujo resultado foi a privação da autonomia territorial e económica da região curda.

Mesmo com as críticas ao establishment curdo – a política é dominada pelas famílias Barzani e Talabani há décadas – a serem mais audíveis, a fraca oposição significa que o ?statu quo  pode ser mantido pelos 3,1 milhões de eleitores.

“Não sei em quem votarei, mas nossa família sempre apoiou o KDP. O meu filho escolherá um candidato para mim”, disse Halima Ahmed, de 65 anos, enquanto caminhava com uma bengala na cidade de Erbil, sede do Governo Regional do Curdistão.

As divisões na União Patriótica do Curdistão (PUK) significam ainda que o KDP pode ganhar vantagem dentro da coligação. 

Os dirigentes da União Patriótica do Curdistão ameaçaram não reconhecer os resultados da eleição, que só deverão ser anunciados após 72 horas do fecho das urnas, argumentando irregularidades durante a votação.