Opinião

Cartas ao director

Investigação de José António Cerejo

Directamente citado no trabalho do jornalista José António Cerejo por ter sido um dos destinatários de email de um militante do PS de Vila Real de Santo António que alegadamente visava atacar o ex-presidente da Câmara Municipal, Luís Gomes, venho esclarecer o seguinte:

- Não li e não respondi ao referido email, dirigido a um correio electrónico pessoal, que, neste momento pouco uso, e que hoje fui recuperar no histórico, mas não pactuo com a intriga e mesquinhez, nem com a construção de factos políticos que visam atirar para a lama a política e os políticos. A linguagem e as acusações hoje reproduzidas no jornal PÚBLICO por parte de Rui Setúbal são levianas e insultuosas, desprovidas de fundamento.

- Estamos perante um ajuste de contas do dr. Rui Setúbal contra o dr. Luís Gomes, na sequência de disputa eleitoral. Neste vale tudo, a ministra do Mar e eu próprio somos invocados para credibilizar o ataque ao ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António.

Esclareço ainda que naturalmente defendi a presença da ministra do Mar na sessão solene evocativa do Dia da Cidade de Faro, este ano centrada no Mar, com a presença do navio escola Sagres, por considerar a requalificação da frente ribeirinha essencial para o futuro deste município, e se inserir na estratégia de descentralização do Governo.

Por estes dias está em movimento um ataque à área governativa do Mar que tem um registo transversal de suspeição e insinuação. Discutamos as opções de futuro para a economia do Mar, não alimentemos a baixa política.

José Apolinário, secretário de Estado das Pescas

A fraude da proporcionalidade eleitoral

A dissertação sobre o assunto, que Nuno Garoupa faz no PÚBLICO, e respigando o que Rui Tavares, também neste jornal, referiu no caso das eleições em Portalegre ( o PS e o PSD, elegem deputados e os votos restantes, esqueçam), merece uma reflexão. Desde os tempos da antiga Grécia, democracia, numa tradução livre, é a eleição dos governantes através do voto do povo. Ora se, como no caso vertente em Portalegre, grande parte dos votos é como se não existissem, por que não esquecer o método de Hondt e verificar quantos votos válidos elegem um deputado para a AR e dividir por esse número os votos que cada partido obteve? (se, nestas contas, sobrassem alguns lugares para a AR, poderiam ser entregues ao partido mais votado, por ex.). Assim todos os votos tinham significado político, e a intervenção popular seria mais abrangente, na minha opinião.

Duarte Dias da Silva, Lisboa