Petição quer pólo residencial universitário em Lisboa como resposta à falta de camas

JSD de Lisboa quer levar discussão à assembleia sobre a criação de um pólo residencial universitário em Lisboa para dar resposta à falta de camas para estudantes deslocados na cidade

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Adriano Miranda

Face a uma situação que “é dramática”, a distrital de Lisboa da JSD decidiu lançar uma petição pública para a “criação de um pólo residencial universitário no distrito”. Em comunicado, a juventude partidária refere que há situações de quartos a serem arrendados por 600 euros – um valor acima do ordenado mínimo. Um problema explicado pela “valorização crescente no sector imobiliário e do aumento do turismo" mas também pela inexistência de "investimento no aumento do número de camas ou de residências universitárias para a procura existente”, diz a JSD.

A habitação acaba por ser um dos maiores encargos para as famílias dos estudantes deslocados que entram no ensino superior. Segundo dados recentes, as 13.971 camas disponíveis nas residências para estudantes do ensino superior, a nível nacional, só garantem alojamento para 12% dos 113.813 alunos que se encontram a estudar fora das suas áreas de residência. Em Lisboa, a situação não deixa de ser dramática – o preço médio de um quarto ronda os 450 euros, mais 150 euros do que em 2014. No ano lectivo 2017/2018, 30% dos estudantes universitários na área metropolitana de Lisboa eram deslocados, mas apenas 9.2% dispunha de cama numa residência. Estes números mostram que, dos 28 mil estudantes deslocados na área, apenas três mil conseguiram vaga numa residência universitária.

A juventude social-democrata quer levar à assembleia a discussão de uma proposta para a criação de um pólo que “concentre numa zona a oferta de milhares de camas”. No documento enviado às redacções, afirma ainda que pretende que este seja “um investimento que permita aos estudantes continuarem a poder estudar em Lisboa, não tendo de abandonar o ensino superior por não conseguirem suportar os actuais custos altíssimos da habitação na cidade”.

Os estudantes deslocados estão sob protecção constitucional vendo, actualmente, ser-lhes negados os direitos à habitação e educação. A juventude partidária considera que caberá ao Estado dar resposta quando o mercado imobiliário “não consegue resolver uma carência”. Com esta petição, pretendem que o Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior e demais entidades relevantes iniciem estudos para a localização e dimensão do pólo residencial universitário.

Actualmente, a petição já conta com mais de 1800 assinaturas e serão levadas a cabo várias iniciativas em instituições de ensino para a sua divulgação.

Texto editado por Ana Fernandes