PS-Porto chama “leviano” ao ministro da Saúde e PSD exige a sua demissão

Socialistas e sociais-democratas unidos no ataque a Adalberto Campos Fernandes por causa da deslocalização do Infarmed para o Porto.

A decisão do ministro da Saúde pode ter consequências políticas nos próximos actos eleitorais
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A decisão do ministro da Saúde pode ter consequências políticas nos próximos actos eleitorais NFS - Nuno Ferreira Santos

O inesperado recuo do ministro da Saúde na decisão de deslocalizar a sede do Infarmed para o Porto foi severamente criticado pelo PS e pelo PSD que, neste sábado, acusam Adalberto Campos Fernandes de faltar à sua própria palavra.

A distrital do PSD do Porto exige a demissão do ministro por “quebra de compromisso”, que ele próprio anunciou há um ano. “Esta questão do Infarmed vem pôr em causa a frase tantas vezes usada pelo ministro-ministro, de que 'palavra dada é palavra honrada'”, declarou ao PÚBLICO o presidente da distrital do PSD-Porto, Alberto Machado. 

Reagindo à decisão do executivo de suspender a deslocalização do Infarmed, o PSD afirma, em comunicado, que a “forma atabalhoada e incoerente com que este Governo tem tratado o tão importante processo de descentralização coloca em causa a credibilidade e a seriedade dos responsáveis políticos e desacredita o Estado como um todo”.

O PS, pela voz do líder distrital, Manuel Pizarro, não poupa o ministro, classificando a sua atitude como “leviana”. “Acho que a atitude do ministro da Saúde é de lamentável leviandade. O senhor ministro começou por anunciar que o Infarmed vinha para o Porto, depois anunciou que se ia criar um grupo de trabalho para estudar as questões técnicas associadas a esta deslocalização e, finalmente, desautoriza a sua própria decisão e as recomendações do grupo de trabalho”, critica Pizarro, em declarações ao PÚBLICO.

Consciente de que esta decisão pode ter custos políticos para PS em próximos actos eleitorais, o antigo secretário de Estado-Adjunto da Saúde deixa um recado para Adalberto Campos Fernandes: “No mínimo, o sr. ministro devia assumir que cometeu um erro, em vez de empurrar para terceiros um problema que ele próprio criou, sozinho”.

“A forma como o dossiê Infarmed foi tratado é, seguramente, reflexo de uma lógica centralista e, eventualmente, é algo que o PS-Porto não se pode orgulhar”, disse.

A líder do CDS também disse neste sábado que a decisão do Governo de suspender para já a transferência do Infarmed de Lisboa para o Porto é o desfecho de um processo "mal gerido e desastrado".