Crónica

Palavras, expressões e algumas irritações: saída

Quando se escolheu descodificar aqui a palavra “saída”, tinha-se em mente o “Brexit” (“adeus” do Reino Unido à União Europeia) e a “despedida” do ensino de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas “saiu-nos” mais outra “saída”, a da procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal

Quando na quinta-feira à tarde se escolheu descodificar aqui a palavra “saída”, tinha-se em mente e como pretextos o “Brexit” (“adeus” do Reino Unido à União Europeia) e a “despedida” do ensino de Marcelo Rebelo de Sousa, que deu a sua última lição na Aula Magna da Universidade de Lisboa.

Nesse mesmo dia à noite, “saiu-nos” outra “saída”, a da procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, que será substituída por Lucília Gago a 12 de Outubro. Não conseguimos perceber ainda se preferia continuar ou não.

“A hipótese de ser reconduzida nunca me foi colocada”, disse. Excerto de declarações aos jornalistas sexta-feira de manhã: “Só soube ontem às oito da noite [uma horas antes de o anúncio ter sido feito na página da Presidência da República].”

Quando se quis saber quem a informou, teve esta “saída”: “Foi um passarinho.” Nesta acepção, a palavra significa: “Dito, resposta ou observação feita com humor, de forma repentina, perspicaz e oportuna.” Pode também ser entendida como “piada” ou “graça”.

Sem humor esteve Theresa May, primeira-ministra britânica, que reagiu desta forma à rejeição dos líderes europeus da sua proposta para o “Brexit”: “Que a União Europeia tenha bem claro: não vou reverter o resultado do referendo nem vou desmembrar o meu país.” O “plano Chequers” (um acordo de livre comércio de bens agrícolas e industriais) não parece ser ainda a melhor “saída” (solução) para a “saída” (abandono) da UE.

Marcelo Rebelo de Sousa acabou de “sair” da vida académica, no sentido de “cessar ou concluir uma actividade”. Mas é certo que o Presidente da República não resistirá a continuar a dar-nos lições. Nem sempre certas.

A rubrica Palavras, expressões e algumas irritações encontra-se publicada no P2, caderno de domingo do PÚBLICO