<p>Bruno Simões Castanheira</p>
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Bruno Simões Castanheira

Megafone

Um touro morreu com a espinha partida

Petrifica-me. Tudo o que nasce não merece morrer, muito menos com a espinha partida, ninguém merece.

Acho que o título diz tudo. Não é preciso dizer mais. O resto deixo à imaginação e indignação.

Aconteceu nas festas da Moita há poucos dias. Um touro partiu a espinha numa largada e acabou por morrer, em sofrimento, sem o auxílio de um veterinário, sem a preocupação de ninguém, excepção feita a todos os que prontamente filmaram o fim mais triste que uma vida pode ter.

Não percebo. Ou melhor, percebo, é um animal, isto é uma largada e aconteceu. Morra o animal que para o ano há mais. Mas onde está a polícia, pode alguém dizer? Onde estão os seguranças do recinto e onde está a fiscalização e as contra-ordenações? Pode a organização de tais eventos garantir a segurança do público e dos animais? A resposta é clara e sucinta: não.

O ser humano é o único animal na natureza que mata por prazer. Mais nenhum animal, mais nenhuma espécie mata por prazer, antes por necessidade, fome, sobrevivência. Mas nós não. Nós matamos por prazer e no prazer achamo-nos superiores, acima dos animais e, no entanto, comportamo-nos abaixo dos mesmos, nós sim como verdadeiros animais.

Não imagino a força bruta necessária para partir a espinha a um touro de 500 quilos, a violência, o choque, a dor. Petrifica-me. Tudo o que nasce não merece morrer, muito menos com a espinha partida, ninguém merece, nós não merecemos e este touro também não.

Faltam-me as palavras diante de tanta ignorância.