Merkel demite chefe dos serviços secretos internos

Hans-Georg Maassen é acusado de ter desvalorizado a vaga de violência xenófoba na cidade de Chemnitz e de ter simpatias por movimentos de extrema-direita.

Hans-Georg Maassen
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Hans-Georg Maassen KAY NIETFELD/ EPA

O chefe dos serviços secretos internos alemães, Hans-Georg Maassen, foi afastado do cargo por ter desvalorizado a onda de violência xenófoba na cidade de Chemnitz, no Leste do país, e de ser acusado de simpatizar com movimentos de extrema-direita.

No entanto, e no que constitui uma polémica solução de compromisso entre a CDU de Angela Merkel e os seus parceiros de coligação governamental (os sociais democratas do SPD, que pediam a sua demissão, e os democratas cristãos bávaros da CSU, que defendiam a sua permanência), Maassen transita para o cargo de secretário de Estado do Interior, o ministério liderado por Horst Seehofer, líder da CSU e crítico interno das políticas migratórias de Berlim.

"O ministro do Interior Horst Seehofer valoriza a competência [de Maassen] em questões de segurança pública", lê-se no comunicado do Governo alemão, citado pela Reuters. "Maassen não vai ficar encarregado da supervisão dos serviços de informação interna no ministério", acrescenta. 

À esquerda, a transferência de Maassen é criticada por ser vista como uma promoção. À direita, e sobretudo da parte de dirigentes e militantes do partido xenófobo Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla germânica), surgem manifestações de solidariedade para com o antigo chefe dos espiões.

A decisão do Governo de Merkel foi motivada pelos comentários de Maaseen a um vídeo, publicado nas redes sociais por uma conta ligada a um movimento antifascista, onde se denunciava uma "caçada" a imigrantes, ou pessoas de aparência estrangeira, promovida por militantes de extrema-direita na cidade de Chemnitz. 

Na altura, Maassen duvidou da veracidade do vídeo e disse que a sua agência não tinha “informação de confiança sobre a realização de tais perseguições”. Mais tarde, reconheceu que o vídeo era real mas repetiu que as imagens provassem a existência de uma perseguição xenófoba organizada. O "chefe dos espiões" alemão acabaria por ser chamado ao Bundestag para prestar esclarecimentos perante uma comissão parlamentar.

Desde 26 de Agosto que a tensão é elevada em Chemnitz, cidade de 250 mil habitantes próxima de Dresden. Nesse dia, um cidadão alemão de origem cubana, de 35 anos, morreu esfaqueado na sequência de uma altercação com dois requerentes de asilo. A notícia do homicídio, acompanhada de boatos (como o de que a vítima estaria a evitar que uma mulher fosse violada), espalhou-se em poucas horas e acendeu um rastilho difícil de conter.

Logo nesse domingo, cerca de 800 pessoas juntaram-se no centro da cidade com o objectivo de identificar e perseguir quaisquer estrangeiros que encontrassem, fazendo saudações nazis. A exibição de símbolos ou propaganda nazi é proibida na Alemanha.

No dia seguinte, uma nova manifestação convocada por movimentos de extrema-direita juntou oito mil pessoas, uma mobilização que surpreendeu as autoridades, apresar de o estado da Saxónia ter uma forte implantação de organizações nazis. A escassa presença policial acabou por não conseguir evitar confrontos entre elementos de extrema-direita e contra manifestantes antifascistas, transformando o centro da cidade de Chemnitz num campo de batalha.