Costa, de jeans, apanhado de surpresa pela recepção angolana

O primeiro-ministro, na chegada a Luanda, foi recebido com uma cerimónia de alas militares que não esperava.

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Depois de aterrar LUSA/AMPE ROGÉRIO
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Na passadeira vermelha LUSA/AMPE ROGÉRIO
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As calças de ganga LUSA/AMPE ROGÉRIO

O primeiro-ministro não estava à espera que o Estado angolano lhe fizesse uma tão solene recepção no aeroporto, que incluiu alas militares. A surpresa apanhou António Costa vestido informalmente, de calças de ganga, sem gravata e de mocassins, lado a lado com o ministro angolano das Relações Exteriores, formalmente vestido. A imagem correu as redes sociais e até o deputado socialista Ascenso Simões, antigo director de campanha de Costa nas legislativas, criticou a indumentária com que o primeiro-ministro chegou a Luanda: "De calças de ganga e sem gravata numa chegada oficial com guarda de honra? Não havia necessidade, senhor primeiro-ministro".

A chegada foi às 7h e a visita oficial só começaria às 10h, no Museu Militar, para uma homenagem a Agostinho Neto. A informalidade do primeiro-ministro — e também a do ministro do Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ambos sem gravata — destoava das alas militares com que foi recebido. Um diplomata que seguia pela televisão a chegada de Costa ao Aeroporto 4 de Fevereiro, disse ao PÚBLICO que, ao ver Costa de jeans  e sem gravata a passar entre os militares, ia tendo um susto. 

Mas se o primeiro dia de Costa em Angola começou pela informalidade inesperada, seguiram-se outros momentos de informalidade a simbolizarem um novo começo nas relações entre Lisboa e Luanda: o ministro das Relações Exteriores convidou o primeiro-ministro para um almoço num restaurante junto ao mar, ao qual também compareceram oito membros do Governo de Angola — ministros das Finanças, Agricultura, Construção Civil, ministro do Ensino Superior, da Justiça e o governador do Banco de Angola. Muitos estavam sem gravata. 

Gravatas e calças de ganga à parte, os tempos mudaram nas relações entre os dois países. Depois de ter cumprido a primeira escala da visita oficial, Costa fez questão de dizer que o passado ficou lá atrás: "O passado ficou no museu e o que agora nos compete a todos nós que estamos vivos é construir o futuro e nesse futuro temos de estar focados nas relações entre Portugal e Angola."

Para já, ficou assinado o acordo que põe fim à dupla tributação entre os dois países, o aumento do número de voos entre Lisboa e Luanda e o aumento da linha de crédito para os empresários. Mas Costa aproveitou para falar da próxima visita do Presidente angolano João Lourenço a Portugal em Novembro: "Esta visita conjuga-se com a visita do Presidente João Lourenço a Portugal. Vamos assinar o acordo estratégico de cooperação para os próximos anos e vamos dar um sinal de confiança para o aprofundamento das nossas relações". Interrogado sobre o que pensava das mudanças políticas em Angola, Costa usou uma só palavra: "auspiciosas".