Algarve e Madeira sofrem recuo no turismo

Dados do INE mostram queda na hotelaria ao nível dos hóspedes e dormidas em Julho.

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Julho não foi um bom mês para a hotelaria no Algarve Mário Lopes Pereira

O mês de Julho trouxe consigo dados negativos para o sector da hotelaria e turismo, com uma quebra de 2,1% no número de turistas e de 2,8% nas dormidas face a idêntico período do ano passado, motivada pelo recuo de visitantes estrangeiros (-2,8% em número de hóspedes e -4,5% nas dormidas)

A queda foi transversal para as regiões, à excepção do Norte e dos Açores em termos de hóspedes, e do Norte e do Alentejo em termos de número de dormidas (o Norte, com o Porto incluído, teve a melhor performance, com 1,8% e 2%, respectivamente).

No Algarve assistiu-se a uma descida de 2,8% de hóspedes em Julho, para 542 mil, o que colocou a região em terreno negativo em termos acumulados. De acordo com os dados da actividade turística divulgados esta segunda-feira pelo INE, nos primeiros sete meses deste ano o Algarve recebeu 2,35 milhões de hóspedes, o que representa -0,3% face a idêntico período (a nível nacional regista-se uma subida de 1,6%).

No caso da Madeira, esta região, que já contava com uma variação negativa em Junho, está agora a recuar 3,4% em termos acumulados (em Julho a descida foi de 9,4%). Até agora, estas duas regiões são as únicas que sofreram uma quebra no número de hóspedes (a nível nacional regista-se uma subida de 1,6%).  

Mercados a descer

O mercado britânico, que é o que tem mais peso para Portugal, recuou 11,7% em termos de dormidas no mês de Julho e 8,8% nos primeiros sete meses. Os turistas espanhóis desceram 5,9% no mês em análise (-1,3% em termos acumulados), os alemães 1,6% (-2,7%) e os franceses 5,9% (-0,3%). Por outro lado, também houve subidas expressivas em mercados como o norte-americano, o canadiano e o brasileiro – confirmando a tendência dos últimos meses -, mas que não foram suficientes para compensar a quebra dos visitantes europeus.

Tanto o Algarve como a Madeira são grandes destinos de férias dos britânicos, cujo mercado está a encolher desde Outubro do ano passado. Entre as razões para esta conjuntura está a concorrência de outros destinos, como a Turquia, Egipto e Tunísia, a influência do “Brexit” e a valorização do euro face à libra, e perturbações nas ligações aéreas devido a factores como a falência da Air Monarch.

Proveitos a subir

Um dado positivo é que as receitas continuam a subir, embora com menos velocidade. “Os proveitos totais atingiram 455,9 milhões de euros e os de aposento 351,2 milhões de euros, abrandando para crescimentos de 6% e de 6,8%, respectivamente” (8% em Junho), diz o INE.

Esta segunda-feira, a Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) deu conta de que a taxa de ocupação por quarto decresceu 2,3 pontos percentuais em Julho, a nível nacional, fixando-se nos 80%. “Por destinos turísticos, Lisboa (87%), Açores (85%) e Algarve (84%) atingiram as taxas de ocupação mais elevadas”, refere um comunicado da AHP, onde se destaca que Julho foi um mês frio.

Há cerca de um mês, quando comentou ao PÚBLICO os dados de Junho (período em que se registou pela primeira vez desde 2010 uma variação negativa nas dormidas de estrangeiros nos estabelecimentos hoteleiros), a Secretaria de Estado do Turismo (SET) defendeu que os dados diziam respeito “apenas a hóspedes na hotelaria" e que tinha havido uma subida de passageiros desembarcados.

Por outro lado, realçou fonte oficial da SET, houve impactos negativos para o sector como “a realização do Campeonato do Mundo de futebol [que terminou a 15 de Julho], bem como as condições climatéricas que se registaram na Europa”, que “poderão ter adiado o início do período de férias dos principais mercados emissores”.

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