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“Tinha-se de fazer os próprios lençóis, as mantas, as camisas de dormir das senhoras e as camisas dos maridos”, recorda Lurdes Rodrigues
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A tecedeira gostava muito de percorrer as ruas ao final da tarde: "Só se ouviam os teares a trabalhar”
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O enquadramento Janeiro de Cima é "muito apetecível", defende Daniela Pais
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Rosa Pereira termina um saco de linho
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Daniela Pais e Rosa Pereira estudam os pontos a utilizar
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A transformação do linho é muito morosa e implica diversos processos até ao fio
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A Casa das Tecedeiras abriu no centro da aldeia em 2005
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No Jardim de Tingir vão ser ensinadas técnicas para extrair o pigmento de várias plantas
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O índigo, não sendo uma planta endémica, tem alto valor comercial
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No café Cardoso, as noites são de Jogo do Rolho

Janeiro de Cima, a aldeia que quer voltar a ouvir os teares cantarem

Outrora terra de linho, Janeiro de Cima quer recuperar a tradição, do campo ao tear. Não para ressuscitar a dureza daqueles tempos, antes para adaptar a economia e os saberes locais ao turismo de experiências e às novas exigências do design. Porque sem património e comunidade, nada persiste.

“Tudo se quer na altura.” Lurdes Rodrigues acaba de chegar e já semeia na conversa uma daquelas lições que só o tempo ensina, tão simples que se aplica a tanto por aqui. Fala da juventude e da estrada da velhice, ainda que os 68 anos se mantenham desembaraçados e de gargalhada fácil. Mas há-de usar a mesma frase para falar da tradição do linho na aldeia. E bem podia evocá-la para falar dos feijões brancos que secam numa esteira junto aos nossos pés. Ou da horta que, em fim de estação, já não está tão bonita nem com a pujança de produtos que queria ter para oferecer.

Há mais de 30 anos que as plantações de linho desapareceram de Janeiro de Cima, mas Lurdes é uma das poucas habitantes da aldeia que ainda se lembra de semeá-lo num recanto da horta. “Não havia estradas, então tinha-se de fazer os próprios lençóis, as mantas, as camisas de dormir das senhoras e as camisas dos maridos”, recorda. O processo era muito longo e moroso. Havia que plantar o linho em Maio – o polegar tinha de levar “sete sementes” a cada furo na terra. Depois colhê-lo em Julho. E daí era ripado, dividido em molhos e remolhado no Zêzere. Depois secado, massado, tascado, espadelado e sedado.

Da escova de dentes de aço saíam os três tipos de fibras que Lurdes nos mostra agora junto ao tear, onde ainda se entretém a enlaçar as sobras do tempo. O linho, a estopa e os tomentos, do fio nobre às palhas grossas. “A estriga do linho é o que vai para a roca”, aponta. Só então era fiado, sarilhado em meadas, colocado na barrela para branquear, lavado, secado, dobado em novelos, urdido e pronto a tecer. “Ao final da tarde, andava-se pelas ruas e só se ouviam os teares a trabalhar. Gostava muito”, recorda Lurdes, de sorriso aberto. Actualmente, muitas casas da aldeia guardam os velhos teares mas são poucos os que ainda cantam. Mais por vício dos dedos do que por necessidade ou procura. Tudo feito com fio comprado ou tiras de velhos tecidos, porque os campos há muito esqueceram o toque da semente.

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Lurdes Rodrigues e David Luxembourg junto ao tear onde a tecedeira ainda enlaça as sobras do tempo

“Não dava, não dava”, reage Lurdes quando perguntamos porque deixou a aldeia de dar corpo à ladainha de verbos. “Antes todos tinham um bocadinho e ajudavam nas tarefas todas.” Mas os velhos desapareceram e os novos emigraram. Tornou-se mais fácil – e barato – comprar a matéria-prima do que trabalhar todo o processo. Deixou de ser uma necessidade para tornar-se um passatempo. “Ainda havia uma senhora que tinha muito linho plantado, depois vendeu a casa e foi tudo para o lixo.” Agora, o projecto-piloto “Laboratório da Terra – O Regresso do Linho” quer devolver a planta aos campos de Janeiro de Cima. E agarrar as gentes à terra.

Tradição com futuro

Quando David Luxembourg soube do incêndio que assolou a região no ano passado ficou “irritado”, “furioso”. Para o holandês, a viver nas Caldas da Rainha desde 2016, as pessoas pareciam “preferir conversar com a televisão e com elas próprias” do que ir até à região e falar com as populações afectadas pela tragédia. “Confiamos cada vez mais em comunidades falsas e isso é extremamente perturbador”, lamenta o designer. “As pessoas reais estão aqui, estão à nossa volta e é importante cuidar destas comunidades porque são elas que nos vão ajudar, que nos vão salvar. E não alguém que está no Facebook, a viajar na Tailândia ou a viver em Londres.”

David queria fazer alguma coisa para que a calamidade não se voltasse a repetir. Iniciou uma residência experimental para perceber se seria possível ter uma frota de drones a circular constantemente nos céus e que conseguisse “largar bombas anti-incêndio assim que o fogo começasse”. A tecnologia existe, funciona em ambientes interiores mas a densidade do arvoredo impede que o líquido projectado chegue à base das labaredas e as extinga. A ideia não ia resultar. Foi mais fundo no dilema: “Aqui, o maior problema é que as pessoas abandonaram a terra e não a levam em conta nos negócios”. Trabalhar os campos é sinónimo de necessidade, de agricultura de subsistência – não uma fonte de riqueza.

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Na Casa das Tecedeiras, os novos teares unem a tradição ao design moderno

O projecto “Laboratório da Terra – O Regresso do Linho” quer contrariar essa visão e ensaiar em Janeiro de Cima uma solução para parte da equação, capaz de ser replicada noutras aldeias onde o linho foi também tradição. A iniciativa é ainda embrionária. Há muitas ideias sobre como ramificar o projecto em várias direcções, ancorando o ciclo completo de produção no turismo e na indústria têxtil. Mas as expectativas vão sendo aplacadas. Dizia Lurdes que tudo se quer na altura. E aqui o tempo – da terra, da comunidade – é inescapável.

Os primeiros passos foram dados em Agosto. “Fizemos uma recolha de sementes de linho junto à igreja, para ver o que ainda havia cá”, conta David, responsável pela orientação do projecto. Entre doações feitas pela população de Janeiro de Cima e de aldeias vizinhas, angariaram “três quilos de sementes”. Agora há que separar as diferentes espécies – “para mim é muito difícil relacionar os nomes locais e as denominações científicas”, confessa – e encontrar as mais adaptadas ao território e às necessidades (umas são melhores para produzir tecidos, outras para extrair linhaça).

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Entre Janeiro de Cima e as aldeias vizinhas, recolheram três quilos de linho

“Nos primeiros dois anos, o objectivo é encontrar e reproduzir semente para ter o que plantar. Depois, com o tempo, havemos de ocupar terrenos com este linho”, afirma Rui Simões, coordenador da ADXTUR, entidade que lidera a iniciativa. Uma faixa de campo, entre o miolo da aldeia e a praia fluvial, já foi obtida para o efeito. As primeiras sementes deverão chegar à terra no próximo ano. Mas os planos deverão passar por mais aquisições. E por pedir aos habitantes da aldeia que “cultivem nas suas próprias hortas um trecho de linho, de índigo ou de outra planta tintureira”, acrescenta David.

Uma recordação da experiência

Rosa Pereira, de 47 anos, olha para o saco que acabou de criar, primeiro no tear, depois em largos nós de macramé, e não esconde o orgulho. “Está muito giro”, exclama de olhos doces, colados na obra que acaba de sair-lhe dos dedos. “Se calhar, nunca pensava fazer assim mas fico satisfeita por poder dizer: 'A ideia não foi minha, mas fiz isto'.” Tem sido uma manhã intensa de trabalho na Casa das Tecedeiras, o primeiro edifício recuperado em Janeiro de Cima ao abrigo da rede das Aldeias do Xisto, o projecto de desenvolvimento turístico que reúne actualmente 27 aldeias do interior da região Centro, liderado pela ADXTUR.

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Rosa Pereira é, actualmente, a única anfitriã da Casa das Tecedeiras

Há treze anos que a Casa das Tecedeiras nasceu para guardar a herança do linho, dividindo-se entre loja, área museológica e atelier. Agora, promete manter-se peça central do projecto alargado. Foi aqui que Rosa e Lurdes conheceram David e Daniela. O casal de designers veio a Janeiro de Cima pela primeira vez em 2009 para participar num projecto anterior, focado na capacitação das tecedeiras locais e no desenvolvimento de peças mais contemporâneas, pensadas em termos de formas, tecidos, padrões. “Só voltámos agora no início de 2017, mas foi como se tivéssemos vindo cá ontem”, conta Daniela Pais, responsável pela área de design de produto da nova iniciativa. “É uma sensação espectacular porque a população é muito acolhedora, não se esquece das pessoas.”

Na altura, o grupo incluía “umas dez tecedeiras”. Mas os apoios terminaram e o projecto modificou-se. Lurdes há-de confessar ter “muita pena de ter saído”. O convívio sabia-lhe bem mas o que lhe dava mais gozo era chegar ao final da semana e “ver tudo o que tinham conseguido fazer”. “De momento, sou só eu”, lamenta Rosa. A sobrinha, Sónia, está a explorar o espaço mas raramente tem tempo para ficar. É Rosa quem vem abrir a porta todas as tardes. “De manhã, trato da vizinha, tenho a hortinha também, faço por lá as minhas coisinhas e depois à tarde venho aqui estar.”

Esta manhã foge à rotina. O grupo está a testar um possível workshop para disponibilizarem aos turistas que visitem Janeiro de Cima. “Queremos criar produtos com elas [tecedeiras] que sejam não só uma coisa que tenham à venda mas também uma experiência que possam oferecer”, conta Daniela Pais. A designer pensou as linhas da peça, Rosa teceu o linho e Rafaela Fortunato veio de Lisboa para liderar o processo de tingimento natural que agora começa no pátio.

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Daniela Pais, Rafaela Fortunato e Rosa Pereira criam o primeiro protótipo para um futuro workshop

Rosa teve workshops sobre as técnicas nas semanas anteriores, por isso foge à possibilidade de sair dali com as mãos novamente manchadas de azul. Avançamos nós e a pequena Madalena, que entretanto entrou com a família para visitar o espaço. Num alguidar, flutua um manto de folhas de índigo em água quente. Mantêm a cor verde mas se esfregarmos as plantas entre os dedos já se notam os azuis. É delas que se extrai o icónico pigmento azulão com que vamos tingir o saco e algumas camisolas. Os tecidos mergulham num primeiro balde com uma solução alcalina. Dançam depois no pigmento. E são postos a secar. “A ideia é que as pessoas façam um bocadinho de tudo e que, ao final da tarde, possam vir buscar o saco já pronto”, indica Daniela.

Um jardim para colorir

O cultivo de plantas de tingimento, embora sem tradição na região, é uma nova aposta do projecto. O objectivo é criar um sector económico paralelo mas interrelacionado com o linho, igualmente assente na agricultura e no artesanato local, mas que permite ir ao encontro das necessidades do mercado e diversificar a gama de produtos que pode ser oferecida pela aldeia. “O índigo é importado, mas tem uma rentabilidade assegurada, depois a ideia é juntar-lhe três ou quatro plantas de tingimento identificadas como nativas e mostrar [à população local] que delas se pode extrair rendimento económico, seja ao acrescentar valor ao que já era vendido, seja pela venda directa do pigmento”, explica Rui Simões. O novo sector, com um espaço próprio a erguer-se futuramente na aldeia, irá chamar-se Jardim de Tingir.

A ideia, enumera o responsável, passa ainda por trazer os princípios da agricultura biológica e da permacultura “para dentro da aldeia” e “capacitar as tecedeiras de forma a organizarem um dossier daquilo que estão aptas a fazer com diferentes designers e formá-las para a linguagem técnica utilizada pela indústria”. E organizar workshops. Muitos workshops. Dedicados a cada fase dos diferentes processos: o cultivo do linho ou das plantas de tingimento; a apanha de um e de outro; todos os momentos de transformação do linho até ao fio, do processo de extracção do pigmento, das técnicas de tecelagem ou de tingimento. Para turistas, para a população local ou para artistas e designers.

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O índigo é uma das plantas que pretendem cultivar em Janeiro de Cima
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O objectivo é criar pigmentos naturais, desenvolvendo uma possível fonte adicional de rendimento

É nesta vertente de experiência, de hobby, que se deverá manter o cultivo de linho em Janeiro de Cima. O objectivo passa por devolvê-lo à terra para que os saberes ancestrais de produção e transformação não se percam e possam ser transmitidos às gerações futuras. Mas o processo é “demasiado grande” e moroso para ambicionar a comercialização do fio. “Vamos começar a fazer um ciclo completo todos os anos, até termos novelos, mas não será suficiente para criarmos uma única peça”, assume David Luxembourg. O objectivo, aponta Rui Simões, é “ampliar a relação com a paisagem cultural que ainda persiste e, a partir dela, criar novas possibilidades”. A longo prazo, talvez o laboratório possa gerar riqueza e novas ideias de negócio para a comunidade local, baseadas no património regional e num equilíbrio sustentável com a natureza envolvente. Que fixe ou atraia população a Janeiro de Cima para que a aldeia se perpetue. “O turismo é apenas a alavanca que acelera, que traz dinheiro e consumo, e nos permite ganhar tempo para mudar o resto.”

Procurar linho selvagem nas margens do Zêzere

É final de tarde, o sol não tarda a esconder-se atrás da serra e Paulo já nos espera junto ao rio para “deitar a barca”. Outrora, esta era a única forma de atravessar de uma margem para outra. “Até levavam juntas de bois.” Agora, são utilizadas para passeios bucólicos ao longo do Zêzere, com partida da praia fluvial da Lavandeira, a cinco minutos a pé do centro da aldeia. Junto ao açude, uma grande roda de madeira ainda gira para evocar as antigas tradições de rega da região. Mas pelas margens, já se vêem sistemas motorizados que aproveitam a água do rio para alimentar os terrenos agrícolas.

Paulo vai dançando a vara contra os seixos do rio e a barca vai deslizando, silenciosa. Viemos à procura de cabeleiras de linho selvagem, que o vento possa ter outrora roubado às hortas e arrastado até às encostas bravias. David vai colando os binóculos à margem, mas a esperança é pequena e a parca luminosidade pouco indicada para o desafio. “Nas Caldas da Rainha, fui até à mata e ainda encontrei. Aqui ainda não tive essa sorte”, confessa.

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A barca que antigamente fazia a travessia do rio é agora utilizada para passeios ao longo do Zêzere

A conversa vagueia, por isso, pelas videiras de uva americana que se insinuam no meio dos salgueiros. “É uma planta que gosta de água”, explica Rui Simões. Pela águia que ainda não surgiu a sobrevoar o vale ou o pouco peixe que este ano os miúdos têm apanhado. Ou pela temperatura da água – a mais gelada onde pusemos o pé por estas bandas (embora haja no grupo corajosos a ir ao banho). À nossa volta, milhares de alfaiates caminham sobre o espelho de água. “Até parece que está a chover.”

Querido mês de Agosto

É pequena a aldeia de Janeiro de Cima. Nela não habitam mais de 300 pessoas. Mas as casas recuperadas ao estilo tradicional – com paredes de xisto e pedra rolada do rio – dão-lhe um ar mimoso. E o labirinto de becos e quelhas traz-lhe uma camada de charme, que apetece explorar. “É um núcleo muito interessante e que tem tudo”, defende Daniela Pais. Há um restaurante, uma mercearia, um café, um bar. Depois o “próprio enquadramento da aldeia é muito apetecível”, “com tanto verde à volta”, acrescenta.

Sentamo-nos na esplanada do bar da praia para uma ronda de petiscos a fechar a tarde, com pratos de caracóis, de enchidos e cerveja. Mas à mesa, há sempre mais alguém que chega para acrescentar um ponto à conversa. Daniela, David e Rafaela vão adiando a viagem até Lisboa. Já nos despedimos de Paulo e da família. E Eduardo não há-de tardar, com o seu sorriso rosado e contagiante, sempre pronto a contar mais uma história rocambolesca, sem filtros. “A experiência da vivência da aldeia também é isto”, dirá alguém. E a aldeia, em pleno Agosto, está cheia de vida e garotada pelas ruas.

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Para a construção das casas era aproveitado, não só o xisto, como as pedras roladas do rio

A julgar pela noite anterior, a maioria deverá estar reunida no largo que se forma entre o café Cardoso e a Igreja Velha. Foi lá que encontrámos Tiago, Ivan e Filipe em disputa compenetrada pela vitória no jogo da malha. Cada pedra desliza, rua acima e rua abaixo, para tentar derrubar os dois pinos o maior número de vezes. Dez pontos quem acerta. Cinco para quem ficar mais próximo. “Vimos uns senhores a jogar e também quisemos experimentar”, conta Tiago, 18 anos, antes de novo lance. Os avós de Ivan e de Filipe são de cá, mas Tiago vem pela primeira vez a Janeiro de Cima, de férias com os amigos. E as noites quentes têm sido passadas na rua, a jogar ou a ver jogar. “Aprendemos há cerca de cinco ou seis dias. É mais fácil do que a outra malha, em que se atira pelo ar.”

Há quem prefira os ecrãs dos telemóveis, sentados nas escadas da igreja. Outros reúnem-se junto às motas antigas que, contam-nos, agora é moda recuperar por aqui. Entre emigrantes, descendentes e turistas de férias, a noite está animada e o restaurante cheio. No café Cardoso, há quem faça uma partida de matraquilhos, mas é o jogo do rolho que está um caso sério. Uma dúzia de homens rijos disputam a perícia minuciosa de tombar a rolha com um golpe de braço. Três pontos para a equipa que deita a rolha à mesa, três para quem ficar mais próximo. Ao fim de duas vitórias (21 pontos somados) alguém terá de pagar a rodada. E a avaliar pelas minis vazias, já houve muita gente a ganhar e a perder.

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Tiago, Ivan e Filipe aprenderam a jogar à malha este Verão

Foi lá que conhecemos Eduardo, 63 anos, um dos mais experientes no jogo. Tinha “uns 15 ou 16 anos” quando começou a ganhar o jeito com as “moedas” prateadas, “num café que havia aqui debaixo”. “Era todas as noites”, ri-se. Seguiram-se muitos anos ao volante de camiões, até passar a funcionário da junta de freguesia, onde ainda trabalha. Função que vai conciliando com a horta e a produção caseira de aguardente de medronho. “Não vão sair de cá sem levar uma garrafa”, oferece à primeira despedida. Dois dias depois, estamos de partida. E ao balcão do café Cardoso espera-nos a garrafa que Eduardo terá lá ido deixar de manhã cedo. É que aqui, por mais que digamos que não é preciso, que não se incomode, o prometido é cumprido.

A Fugas viajou a convite da ADXtur