Standard & Poor’s revê em alta perspectiva da dívida para “positiva”

Agência norte-americana passou hoje de “estável” para “positiva” a perspectiva da notação da dívida pública portuguesa, um ano depois de lhe ter voltado a atribuir o “grau de investimento”.

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Miguel Manso

O rating atribuído pela Standard & Poor’s (S&P) a Portugal passou esta sexta-feira a a contar com uma perspectiva “positiva”, uma mudança que abre a porta a uma subida da classificação atribuída a Portugal dentro de cerca de seis meses, quando a agência norte-americana voltar a avaliar o país. Este anúncio surge um ano depois de a S&P ter retirado o rating português do nível "lixo", colocando-o em BBB-.

No relatório em que explicam a decisão de passar a perspectiva de "estável" para "positiva", os analistas da S&P assinalam o "fortalecimento do crescimento", "os défices públicos mais baixos" e a "redução da dívida pública" que se registam em Portugal e afirma que o rating poderá subir na próxima avaliação se a economia portuguesa continuar a diminuir os seus níveis de endividamento face ao exterior ao ritmo actual. De igual modo, uma subida do rating pode surgir na sequência de melhorias nas condições de crédito no país, que permitam que Portugal beneficie de uma forma mais clara da política de taxas de juro baixas do BCE. A S&P diz que estará particularmente atenta à evolução do crédito mal-parado no país, que diz ser ainda muito alto.

Em contrapartida, a agência diz que a perspectiva pode voltar a ser "estável", sem subida de rating, se se registasse um enfraquecimento significativo da economia e se a situação orçamental se deteriorasse.

Numa reacção imediata à decisão da agência norte-americana, o Ministério das Finanças emitiu um comunicado em que defende que “esta actualização reflecte a confiança na sustentabilidade dos progressos registados na evolução da economia portuguesa e na gestão das contas públicas”. Nomeadamente, acrescenta, nas projecções “de um crescimento económico robusto, a diminuição da dívida externa, o dinamismo do sector exportador e a solidez do processo de consolidação orçamental. De notar também, afirma a comunicação das Finanças, “os progressos alcançados no reforço da estabilidade financeira, entre os quais a redução significativa do rácio do crédito mal-parado”.

Para Mário Centeno, citado na comunicação enviada às redacções, “este desenvolvimento é o resultado das nossas políticas orientadas para reforçar a confiança dos agentes económicos, estabilizar o sistema financeiro e equilibrar as contas públicas, através do aumento continuado da qualidade da despesa pública”.

“O Governo tenciona alcançar um orçamento equilibrado no próximo ano e manter a trajectória descendente do peso da dívida pública no PIB, por forma a reforçar a resiliência das contas públicas e da economia portuguesa”, afirma ainda o também presidente do Eurogrupo, no comunicado hoje enviado.

“A decisão da S&P traduz o compromisso do Governo de prosseguir uma gestão criteriosa das contas públicas e de continuar a promover um crescimento económico sustentável inclusivo, com aumento do emprego e redução das desigualdades”, conclui.