Crónica de jogo

A Taça da Liga continua a ser indigesta para o FC Porto

Portistas estiveram a vencer mas consentiram o empate ao Desportivo de Chaves, que fez história ao conseguir sair de casa dos “dragões”, pela primeira vez, sem ser derrotado em 18 visitas.

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Marega tenta ultrapassar a defesa do Desp. Chaves LUSA/FERNADO VELUDO

A Taça da Liga continua a ser uma prova que origina digestões difíceis ao FC Porto. Os “dragões” são o único dos chamados três “grandes” que ainda não ganhou a competição e só por duas vezes em 11 edições chegaram à final. Nesta sexta-feira, o FC Porto teve mais uma entrada em falso na prova, apesar de ter mandado no jogo o tempo todo, e consentiu um empate caseiro a um golo frente a um Desportivo de Chaves que até esteve a perder e que, pela primeira vez, não perdeu na casa dos portistas em 18 visitas.

No arranque da fase de grupos da Taça da Liga, na sua estreia na competição esta temporada e a poucos dias de um jogo importante para a Liga dos Campeões com o Schalke 04, o FC Porto apresentou-se com várias novidades na equipa inicial. Sérgio Conceição confirmou a titularidade de Danilo Pereira, o que já não acontecia desde Fevereiro, Adrián López também surgiu no “onze” inicial (há quase dois anos que não era titular), Vaná foi para a baliza e João Pedro fez a sua estreia absoluta a titular com a camisola do FC Porto em jogos oficiais.

Apesar de tantas alterações, o FC Porto entrou rápido e decidido a resolver cedo a partida. Só que o Desportivo de Chaves que ontem se apresentou no Dragão foi bem diferente do que foi copiosamente goleado por 5-0 para o campeonato. É que, apesar das várias ausências forçadas (Paulinho, Maras, Hugo Basto, Djavan e Bressan, por lesão), a equipa de Daniel Ramos surgiu mais concentrada e sólida do que no jogo inaugural da I Liga.

Focado em defender, o Desp. Chaves aguentou com mais ou menos dificuldade os primeiros 20 minutos de pressão intensa do FC Porto. Com uma linha defensiva composta por cinco homens, ajudados quase sempre por praticamente todos os restantes (só William permanecia isolado, na frente), o Desp. Chaves resistiu tempo suficiente para começar a enervar os portistas, que na parte final do primeiro tempo, baixaram o ritmo e aliviaram o garrote que tinham colocado no pescoço dos flavienses desde o início.

No segundo tempo, o FC Porto surgiu com o mesmo “onze” mas sem Sérgio Conceição no banco de suplentes — o treinador portista foi expulso ao intervalo por ter criticado junto do árbitro aquilo que considerou ser a complacência deste com o antijogo do Desp. Chaves.

Sem conseguir criar verdadeiro perigo junto da baliza adversária apesar do domínio do encontro, Sérgio Conceição foi forçado a colocar em campo os seus trunfos. E foi só depois de Brahimi entrar que o FC Porto voltou a acelerar. O argelino foi decisivo para furar a muralha flaviense e foi dos seus pés que surgiu a primeira e verdadeira ocasião de golo junto da baliza de António Filipe desde o início do encontro, quando serviu Marega para este obrigar o guarda-redes do Desp. Chaves a defesa apertada (70’).

Quatro minutos depois, nova iniciativa de Brahimi, que tentou furar por entre dois adversários já no interior da grande área flaviense. A bola sobrou para o recém-entrado Hernâni que não desperdiçou a oportunidade e inaugurou o marcador.

Quase todos pensaram que a vitória estava assegurada. Até porque o Desp. Chaves não tinha mostrado ter outra ideia que não fosse tentar não sofrer golos. Só que um contra-ataque veloz dos flavienses a poucos minutos dos 90 apanhou a defesa “azul-e-branca” em contra-pé e Eustáquia cabeceou para o golo que gelou os “dragões”.

Com pouco tempo para se jogar, o FC Porto ainda lançou para o campo Aboubakar, que se queixou de um penálti não assinalado sobre si (que pareceu existir) e marcou um golo com uma mão, primeiro validado pelo árbitro e depois (bem) anulado. Já o Desp. Chaves também se queixou de uma mão na grande área portistas (que também pareceu existir) e viu Jefferson obrigar Vaná a uma grande defesa.